| Resumo |
Introdução: o Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (SAMU) é um dos componentes da rede de atenção às urgências no Brasil, atuando em situação de urgência e emergência. Assim sendo, os atendimentos do SAMU podem ocorrer em qualquer lugar, desde vias públicas até as residências. No contexto das emergências, o trauma é definido como um conjunto de lesões resultantes da interação do corpo com forças externas. A natureza súbita, e, muitas vezes, grave dos traumas exige uma intervenção rápida e especializada. Essa caraterização permite identificar grupos vulneráveis e orientar políticas públicas e ações preventivas mais eficazes, a fim de reduzir os acidentes, hospitalizações e suas consequências para a saúde pública e qualidade de vida da população. Objetivo(s): analisar a distribuição do total de quedas atendidas pelo SAMU, estratificada por sexo e faixa etária entre agosto de 2022 e dezembro de 2024. Método: trata-se de um estudo quantitativo e descritivo que analisou 2.983 atendimentos realizados entre agosto de 2022 e dezembro de 2024. Deste total, foram realizadas 17 exclusões de registros que apresentavam dados faltantes ou que não se enquadravam como traumas resultando em uma amostra final de 2.961 registros. Os tipos de quedas considerados foram de própria altura, de motocicleta, de altura e de bicicleta. O sexo foi categorizado em masculino e feminino. A faixa etária foi agrupada em seis categorias: 0–1, 2–9, 10–19, 20–40, 41–60 e maiores de 60 anos. Os dados foram analisados por meio de frequências absolutas e percentuais, utilizando o software Stata. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa (parecer nº 7.283.438). Resultados: entre os 2.961 atendimentos por trauma registrados pelo SAMU, as quedas totalizam 1.662 casos (56,1%) no período. A análise estratificada por sexo e faixa etária evidenciou que entre as mulheres (37,6%), mais da metade (52,8%) dos atendimentos concentrou-se na faixa etária superior a 60 anos, seguida pelas faixas de 20 a 40 anos (20,4%) e 41 a 60 anos (17,7%) As faixas etárias inferiores a 20 anos apresentaram baixa representatividade. Esses dados indicam uma maior vulnerabilidade ao risco de queda entre mulheres idosas, possivelmente associada a fatores biológicos e sociais relacionados ao envelhecimento. Já entre os homens (62,4%), a distribuição foi mais equilibrada, com percentuais próximos nas faixas de 20 a 40 anos (30,8%), 41 a 60 anos (28,0%) e acima de 60 anos (30,8%), sugerindo que além do envelhecimento, fatores ocupacionais ou comportamentais podem contribuir para a incidência de quedas nesse grupo. Conclusões: as quedas configuram uma demanda expressiva ao SAMU, com maior incidência entre mulheres idosas e homens em idade produtiva. Os achados reforçam a necessidade de estratégias preventivas específicas por faixa etária e sexo, visando à redução dos riscos e dos impactos físicos, funcionais e sociais associados às quedas. |