| ISSN | 2237-9045 |
|---|---|
| Instituição | Universidade Federal de Viçosa |
| Nível | Graduação |
| Modalidade | Pesquisa |
| Área de conhecimento | Ciências Humanas e Sociais |
| Área temática | Dimensões Sociais: ODS1 |
| Setor | Departamento de História |
| Bolsa | CNPq |
| Conclusão de bolsa | Sim |
| Apoio financeiro | CNPq |
| Primeiro autor | Vinícius Andrade e Silva |
| Orientador | ANGELO ADRIANO FARIA DE ASSIS |
| Título | Indígenas e jesuítas na travessia do sagrado: embates, ritos e mestiçagens espirituais (séculos XVI e XVII)" |
| Resumo | Este trabalho analisa o processo de conversão indígena no Brasil colonial, com ênfase nos embates simbólicos e teológicos que se desenrolaram entre os missionários da Companhia de Jesus e os povos originários, particularmente os tupinambá. Longe de reduzir esse encontro a uma mera imposição unilateral da fé cristã, a pesquisa revela a complexa tessitura de traduções, resistências e reelaborações que atravessaram a missão religiosa nos séculos XVI e XVII. Através do conceito de *catolicismo-tupi*, investiga-se a formação de uma religiosidade mestiça, nascida do contato — tenso, ambíguo e muitas vezes violento — entre o imaginário sacramental europeu e as cosmologias indígenas. As fontes primárias analisadas, como as Cartas Ânuas, as Visitações do Santo Ofício e os relatos de cronistas e missionários, evidenciam que os sacramentos, especialmente o batismo, não apagaram as práticas ancestrais, mas foram, em muitos casos, reinterpretados pelos indígenas em chave própria. Esses dados indicam a existência de um longo e conflituoso período de formulação ritual, em que a fé cristã foi mesclada a lógicas sociocosmológicas indígenas. Amparado em autores como Almir Diniz Carvalho Júnior, Carlo Ginzburg e Robin Wright, o estudo enfatiza que a missão não se deu como um campo homogêneo, mas como espaço de negociação constante, onde resistências discretas — e por vezes simbólicas — moldaram os contornos do que se entende por conversão. Levanta-se, ao final, uma provocação: teria havido, mesmo que não declarada, uma certa tolerância forçada por parte dos missionários? Seria possível pensar em ambiguidades pastorais que, por necessidade mais do que por convicção, permitiram a persistência dos “deuses outros”? Ao invés de encerrar certezas, esta pesquisa sugere novas trilhas: ouvir os silêncios das fontes, buscar as hesitações no interior da ortodoxia e reconhecer que, no processo catequético, nem os deuses indígenas foram totalmente apagados, nem o Deus cristão saiu incólume. O que se formou foi uma fé entrelaçada, feita de medo e desejo, imposição e astúcia, onde todos os mundos foram, de algum modo, transformados. Assim, este trabalho é também um convite à escuta: dos murmúrios, dos cantos, e das presenças que insistem em não desaparecer. |
| Palavras-chave | Mestiçagem religiosa, Resistência indígena, Companhia de Jesus |
| Forma de apresentação..... | Vídeo |
| Link para apresentação | Vídeo |
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