| Resumo |
O exame de necropsia é uma ferramenta essencial da Patologia Veterinária, permitindo a avaliação global do organismo após a morte. Por meio da observação sistemática de alterações macroscópicas, complementadas ou não por exames histopatológicos, é possível compreender a patogênese das doenças e estabelecer diagnósticos mais precisos, além de identificar o processo patológico que resultou na causa da morte. Na Universidade, essa atividade já possui caráter extensionista, ao oferecer suporte diagnóstico à comunidade e integrar o ensino prático de forma aplicada e real. No entanto, quando os dados oriundos desses exames são organizados, analisados e transformados em recurso educativo e informativo para além da rotina acadêmica, assume-se uma ação de extensão universitária formal, com impacto ampliado no ensino, na epidemiologia e na qualificação do atendimento veterinário. O presente trabalho analisou os exames de necropsia realizados pelo Setor de Patologia Veterinária da UFV entre outubro de 2024 e julho de 2025, período que marca o início da implementação de um sistema estruturado de registro diagnóstico, com o uso regular de livro de registros. Até então, os diagnósticos não eram sistematicamente compilados, o que torna este levantamento pioneiro na instituição. O objetivo foi identificar os principais processos patológicos relacionados à morte de animais, contribuindo para o aprimoramento do raciocínio clínico, da vigilância em saúde e da formação baseada em evidências. Foram consultados os registros de diagnóstico do setor, e cada caso foi revisado quanto ao diagnóstico final atribuído, considerando os achados do exame post mortem, com ou sem complementação histopatológica. As informações foram organizadas em planilha eletrônica e classificadas segundo o processo patológico mais grave, em categorias como: infecciosa, neoplásica, física, tóxico-metabólica, inflamatória sem agente intralesional, degenerativa, circulatória, idiopática e inconclusiva. Foram analisados 106 exames de necropsia de animais de diferentes espécies. As causas infecciosas foram predominantes, representando aproximadamente 67% dos casos. Em seguida, observaram-se processos neoplásicos (9,4%), físicos (6,6%), tóxicos-metabólicos (5,7%), inflamatórios e inconclusivos (2,8% cada), degenerativos e idiopáticos (1,9% cada), e alterações circulatórias (0,9%). Esses dados iniciam a construção de uma base epidemiológica institucional, com potencial para subsidiar ações de prevenção, ensino e diagnóstico. A proposta reforça a relevância da necropsia como ferramenta integrada de ensino, extensão e ciência, promovendo a formação crítica e conectada às demandas reais da sociedade. |