| Resumo |
A palmeira de macaúba (Acrocomia aculeata), conhecida pela produção de frutos ricos em óleo, vem ganhando destaque nos últimos anos pelo seu potencial na produção de biocombustíveis. Esse interesse tem impulsionado a expansão de cultivos da espécie no Brasil, principalmente em sistemas produtivos sustentáveis, como os modelos de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Durante o manejo dessas plantações, são gerados resíduos, como as folhas, que se acumulam no campo e podem ser aproveitados. Este estudo teve como objetivo avaliar o potencial energético das folhas de macaúba. As amostras foram secas ao ar livre (≈12% de umidade), trituradas em moinho martelo, homogeneizadas e quarteadas. Os teores de materiais voláteis, carbono fixo e cinzas foram determinados conforme a norma ASTM D1762-84. A densidade a granel foi determinada conforme a norma EN 15103, enquanto o poder calorífico superior foi determinado por meio de bomba calorimétrica adiabática (IKA300®), de acordo com a norma DIN EN 14918. A densidade energética foi calculada com base na energia liberada por metro cúbico da biomassa. Foi observado que as folhas de macaúba possuem características favoráveis ao aproveitamento energético. O teor de materiais voláteis (78,64%) está relacionado à liberação rápida de energia, facilitando a ignição e a liberação de gases inflamáveis. O teor de carbono fixo (17,59%) está relacionado a presença de lignina, componente que mantêm a combustão por mais tempo, favorecendo a liberação lenta de energia. Já o teor de cinzas (3,77%), apesar de ser indesejável para a queima, pois representa do acúmulo de resíduos inorgânicos, encontra-se dentro dos limites aceitáveis para biomassa vegetal. A densidade a granel observada (95,45 kg/m³) representa um desafio logístico, devido ao grande volume necessário para transporte e armazenamento e impacta diretamente na densidade energética (1775,3 MJ/m³), porém essa propriedade pode ser otimizada por meio de processos como briquetagem ou pelletização. Além disso, o poder calorífico superior (18,30 MJ/kg) pode aumentar com a aplicação de tratamentos térmicos, como a pirólise lenta, que contribuiria para o aumento do teor de carbono fixo e consequentemente da estabilidade térmica do material. Essas estratégias podem contribuir para a viabilidade das folhas de macaúba como fonte alternativa e sustentável de energia. |