| Resumo |
A insegurança alimentar e nutricional (IAN) configura-se pelo acesso limitado ou incerto a alimentos em quantidade e qualidade suficientes, o que impacta diretamente a saúde, o bem-estar e o desenvolvimento dos indivíduos. No contexto universitário, especialmente entre estudantes residentes em moradias estudantis, fatores como baixa renda, alterações nos padrões alimentares e a intensidade da rotina acadêmica contribuem para a IA dessa população. Essa realidade evidencia a importância de iniciativas que visem diagnosticar e enfrentar a IAN no ambiente universitário, promovendo a segurança alimentar e nutricional (SAN) como um componente essencial para o sucesso acadêmico e a qualidade de vida dos estudantes. O presente trabalho teve como objetivo caracterizar o perfil sociodemográfico e antropométrico dos estudantes residentes nas Unidades de Moradias Estudantis da Universidade no Federal de Viçosa, além de avaliar a prevalência de insegurança alimentar nessa população. Para o levantamento de dados foi realizado um estudo descritivo, transversal e quantitativo. A coleta de dados foi realizada entre o ano de 2023 e 2024. Foi solicitado aos estudantes o preenchimento de um questionário online com dados sociodemográficos, antropométricos, prática de atividade física, uso de cigarro e bebida alcoólica, consumo e preparo de alimentos, após o ingresso na universidade e a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar reduzida. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A amostra foi composta por 220 estudantes com idade média de 23 anos, maioria do sexo masculino (55%, n=121). Dentre esses, pardos (38,2%, n=84), brancos (32,3%, n=71), negros (26,4%, n=58), amarelos (0,9%, n=2) e indígenas (1,4%, n=3), todos brasileiros (100%, n=220), sendo a maioria natural de Minas Gerais (75%, n=165). Mais da metade recebia algum auxílio (55%, n=121), sendo 54,55% (n=120) com renda <1 salário mínimo, e média de R$526,00. Para o perfil antropométrico, a altura variou entre 1,47m e 1,98m, o peso mínimo foi de 45kg e o peso máximo de 139 kg, IMC médio de 24,07 kg/m²; desses 34,5% (n=76) apresentavam excesso de peso e 12,73% (n=28) relataram sobrepeso/obesidade. 73,2% (n=161) praticavam atividade física, 16,4% (n=36) faziam uso de cigarro e 66,8% (n=147) de álcool. Quanto aos hábitos alimentares, 48,6% (n=107) possuem costume de preparar suas refeições e 71,8% (n=158) comem com companhia. O almoço foi a refeição mais realizada no dia (95,9%, n=211), e no RU (40%, n=88). 84,5% (n=186) apresentou alteração na ingestão alimentar após o ingresso na universidade e 87,7% (n=193) alteração na compra de alimentos, com prevalência de piora. A insegurança alimentar foi identificada em 81,82% (n=180) dos estudantes. Compreender os determinantes sociais e nutricionais que impactam a qualidade de vida e o bem-estar desses estudantes, são fundamentais para a elaboração de estratégias eficazes de promoção da SAN no ambiente universitário. |