| Resumo |
Introdução: A gestação de alto risco é caracterizada pela presença de condições maternas, fetais ou obstétricas que elevam a probabilidade de desfechos adversos durante a gravidez, o parto ou o puerpério. A identificação de fatores sociais, econômicos e comportamentais que influenciam a saúde materna torna-se essencial para qualificar o cuidado ofertado no pré-natal. Diante disso, faz-se imprescindível a análise do perfil das gestantes com o objetivo de compreender como impactam na evolução da gestação e nos desfechos materno-infantis. Objetivo(s): Avaliar o perfil e a prevalência das gestações de alto risco atendidas em um Centro Estadual de Atenção Especializada de um município da Zona da Mata Mineira. Método: Trata-se de uma pesquisa transversal, de natureza quantitativa, de caráter descritivo. A amostra foi composta por gestantes que realizaram o pré-natal na unidade de referência para gestação de alto risco no município de Viçosa-MG. Esses dados referem-se a um período de 12 meses, entre abril de 2023 a abril de 2024. Os dados foram coletados por meio da transcrição de prontuários para a plataforma Google Forms e, posteriormente, transferidos em forma de planilhas para o Microsoft Word. Foi realizada uma análise descritiva, abrangendo frequências absolutas e relativas, no SPSS versão 20. Resultados: O estudo apontou que a área analisada apresenta uma incidência de gestações de alto risco compatível com a média nacional; no entanto, alguns municípios se destacam por registrar taxas significativamente mais elevadas. A maioria das gestantes encontram-se na faixa etária entre 20 a 34 anos, em sua maioria, declaradas pretas, pardas ou indígenas. No aspecto conjugal, 61,9% das gestantes vivem em união estável, apresentam baixa escolaridade e renda, ainda que metade das gestantes possua ocupação. A renda familiar limitada, presente em cerca de metade das mulheres, agrava o risco gestacional por dificultar o acesso ao pré-natal, à alimentação adequada e à moradia digna. Ao se analisar o consumo de álcool e tabaco, o estudo evidenciou que 3,5% das mulheres fazem uso de álcool na gestação, enquanto 9,1% apresentam consumo de tabaco. Nesse contexto, a pesquisa revelou que 1,1% das gestantes relataram o uso de substâncias ilícitas durante a gestação, índice que se aproxima da média nacional. Ao se analisar sono e atividade física, 42,3% das gestantes classificadas como de alto risco relatam sono e repouso prejudicados e apenas 10% dessas mulheres relatam prática de atividade física. Conclusões: A análise dos dados evidencia um cenário de múltiplas vulnerabilidades. Esses elementos, associados, reforçam a importância de estratégias integradas e sensíveis às desigualdades sociais para a promoção de um cuidado pré-natal mais eficaz, capaz de minimizar riscos e melhorar os desfechos materno-infantis. |