| Resumo |
Este trabalho busca realizar uma análise comparativa da rede de construções de repreensão acionadas pelas estruturas “Ninguém Mandou X” (Cardoso, 2021) e “Ninguém Manda X” (Rachid, 2023), estudadas em pesquisas de iniciação científica, nas quais “X” é um Sintagma Verbal no infinitivo que pode ou não ser anteposto por um Sintagma Nominal, como observado nos dados empíricos: “Ah meu, ninguém manda ele me deixar ir pra esses lugares.” (blogspot.com.br) e “Mas ninguém mandou ele tentar me abandonar” (Uol.com.br). O propósito dos trabalhos realizados previamente foi analisar o significado de repreensão depreendido de forma holística, a partir do pareamento simbólico entre forma e função nas referidas construções. Fundamentado pela proposta da Linguística Cognitiva, especificamente na abordagem da Gramática das Construções, este estudo tem como embasamento teórico os trabalhos de Goldberg (1995), Ferrari (2011), Pinheiro (2016) e Martelotta e Palomanes (2017). Em questões metodológicas, esta pesquisa visa a desenvolver uma análise comparativa dos resultados obtidos nos dois estudos anteriores. Para o recorte atual, o banco de dados é composto pelos resultados obtidos a partir da busca avançada das expressões “ninguém mandou” e “ninguém manda”, nos domínios blogspot.com.br e uol.com.br. Foram selecionadas 47 ocorrências procedentes do site blogspot.com.br (23 “ninguém mandou” e 24 “ninguém manda”) e 23 ocorrências provenientes do site Uol.com.br (17 “ninguém mandou” e 6 “ninguém manda”), totalizando 70 dados consolidados. Além disso, objetiva-se, com esta pesquisa, contribuir com o conjunto de análises das construções ao descrever e comparar as diferentes configurações gramaticais formadas pelas estruturas “Ninguém manda X” e “Ninguém mandou X”; realizar uma análise comparativa dos verbos acionados em ambas as construções; apresentar e discutir como são demarcados os alvos da repreensão com base nas ocorrências obtidas; e analisar como os recursos linguísticos contribuem para a avaliatividade da construção, considerando os estudos propostos por Martin e White (2005). Dessa forma, almeja-se encontrar a configuração sintática mais representativa nesse conjunto de construções, bem como definir os alvos majoritários dessas repreensões. Até o presente momento, foi possível determinar os verbos mais frequentes encontrados em cada estrutura, sendo fazer e ter, com 3 incidências cada, na construção “ninguém mandou”; e fazer e ser, também com 3 incidências cada, na construção “ninguém manda”. |