| Resumo |
O besouro Oxelytrum discicolle (Brullé, 1840) se destaca entre os insetos necrófagos por sua ampla distribuição geográfica e estreita associação com carcaças. Os adultos colonizam grandes carcaças, onde suas larvas se desenvolvem, desempenhando um papel relevante no processo de decomposição. Além do papel ecológico, essa espécie também possui importância forense, podendo ser utilizada como evidência pericial em investigação de crimes contra a vida. Embora existam estudos sobre a distribuição geográfica e a ecologia de O. discicolle, ainda não há informações sobre seu sistema reprodutor. Recentemente, tem ganhado destaque o debate sobre o posicionamento filogenético da família Silphidae, considerada por alguns autores como subfamília de Staphylinidae. Nesse contexto, a morfologia do sistema reprodutor pode fornecer dados valiosos para aprofundar essa discussão. Neste trabalho descrevemos a anatomia do sistema reprodutor masculino e feminino, e a morfometria dos espermatozoides de O. discicolle. Para isso, os sistemas reprodutivos de quatro casais foram dissecados em PBS, fixados e fotografados em um estereomicroscópio com uma câmera digital acoplada. Para a morfometria, 30 espermatozoides de três indivíduos foram corados com Giemsa, fotografados no microscópio Olympus BX-60 e medidos com o software Sperm Sizer v1.6.6. Observamos que o sistema reprodutor masculino dessa espécie é composto por um par de testículos alongados (~ 4,8 mm de comprimento e 2,1 mm de diâmetro cada), contendo dezenas de folículos de formato peculiar (~0,76 mm de comprimento). Estes folículos apresentam-se conectados ao ducto semelhante à uma flask/bottle brush, em que os folículos seriam as cerdas da escova, numerosos e circundando o eixo central. Um ducto eferente delgado conecta cada folículo à porção intratesticular dos ductos deferentes, cuja porção extratesticular é longa, dilatada e completamente preenchida por espermatozoides. Ambos os ductos deferentes desembocam na extremidade anterior do ducto ejaculatório, juntos a dois pares de glândulas acessórias tubulares hialinas: um par longo (~30 mm) e outro mais curto e delgado (~3,4 mm). Identificamos que os espermatozoides de O. discicolle são filiformes e longos. A cabeça é composta por um acrossomo relativamente longo (~6 μm), seguido por um núcleo proporcionalmente curto (~15 μm). O flagelo mediu cerca de 82 μm. As fêmeas possuem, em média, 17 ovaríolos (~5 mm), contendo em média 7 ovos, com comprimento médio de 2,14 mm e diâmetro de 1,6 mm cada ovo. A espermateca é pequena em comparação ao tamanho do ovário. Notamos que o sistema reprodutor masculino de O. discicolle difere significativamente do observado em Staphylinidae. Embora filogeneticamente próximos, o sistema reprodutivo de O. discicolle difere significativamente do observado nos besouros estafilinídeos, possibilitando a discussão sobre a evolução do sistema reprodutor no grupo e a atual classificação dos silfídeos como subfamília. |