| Resumo |
A serapilheira, composta por materiais vegetais e animais depositados sobre o solo, constitui um dos principais mecanismos naturais de retorno de nutrientes aos ecossistemas florestais. Além dessa função, regula a temperatura, a umidade e a estrutura física da superfície edáfica, contribuindo para o estabelecimento de plântulas e a regeneração natural. Por essas razões, seu acúmulo é amplamente reconhecido como indicador da trajetória de recuperação de florestas degradadas (Machado et al., 2008; Brancalion et al., 2015). Este estudo avaliou o estoque de serapilheira acumulada em uma área de plantio compensatório vinculada ao Programa Carbono Zero da Universidade Federal de Viçosa (UFV), implantado em 2017 como parte de uma estratégia institucional de mitigação de emissões durante a Semana do Fazendeiro. A área foi subdividida em três arranjos experimentais: Arranjo 1 (distribuição aleatória de espécies nativas), Arranjo 2 (alternância entre linhas) e Arranjo 3 (linhas contínuas com indivíduos nativos). Desde o plantio, realiza-se inventário florestal anual para monitorar o desenvolvimento da vegetação e a taxa de mortalidade. Para aprofundar o entendimento ecológico da área, foi realizada coleta de serapilheira com moldura de 0,25 m² no ponto central de cada arranjo. O material coletado foi triado no Laboratório de Análise de Sementes Florestais da UFV, com separação do banco de sementes, secagem em estufa a 65 °C por 72 horas e pesagem em balança analítica de precisão para obtenção da massa seca acumulada. As médias de biomassa variaram entre 5,91 Mg/ha (Arranjo 2) e 7,09 Mg/ha (Arranjo 3), inserindo-se na faixa reportada para a biomassa de serapilheira da Mata Atlântica, próxima da média anual de 6,78 Mg/ha (Espig et al., 2009). Considerando que a área avaliada possui apenas sete anos desde o plantio, os resultados indicam desempenho expressivo dos arranjos testados, com formação de cobertura vegetal capaz de acumular material orgânico. A continuidade do monitoramento, prevista para o segundo semestre de 2025, incluirá novas coletas e análises de solo, possibilitando maior robustez interpretativa. A alta taxa de mortalidade pode ter influenciado a maior biomassa nos Arranjos 1 e 3. Já o Arranjo 2 apresentou os menores valores, possivelmente devido à presença de gramíneas exóticas (como a braquiária), à menor mortalidade registrada e à formação de clareiras, fatores que podem afetar a deposição e decomposição da serapilheira. Conclui-se que o acúmulo de serapilheira é um indicador sensível da resiliência ecológica em áreas em recuperação, além de contribuir para a formação de um tecnossolo mais fértil e estruturado, com aumento de matéria orgânica e estoque de carbono. Os resultados reforçam a importância de sua inclusão em protocolos de monitoramento da recuperação ambiental, especialmente em paisagens fragmentadas e sob pressão antrópica. |