Das Montanhas de Minas ao Oceano: Os Caminhos da Ciência para um Futuro Sustentável

20 a 25 de outubro de 2025

Trabalho 21483

ISSN 2237-9045
Instituição Universidade Federal de Viçosa
Nível Pós-graduação
Modalidade Pesquisa
Área de conhecimento Ciências Humanas e Sociais
Área temática Dimensões Institucionais: ODS16
Setor Departamento de Educação Física
Bolsa CAPES
Conclusão de bolsa Não
Apoio financeiro CAPES
Primeiro autor Augusto Fernandes Condé
Orientador DOIARA SILVA DOS SANTOS
Título Entre a retórica da união e a continuidade do projeto colonial moderno no esporte: a inauguração dos jogos pan-americanos sob lentes decoloniais
Resumo O objetivo deste estudo foi examinar construções histórico-epistêmicas de tentativas à inauguração dos Jogos Pan-americanos (Pan) em 1951, por via decolonial. Diante disso, mapeou-se a produção científica histórica e sociocultural sobre o Pan. Foram encontrados 39 artigos, nos quais 7 investigam a busca pela elaboração do Pan. A análise destes estudos se aproximou de diálogos político-epistemológicos de intelectuais da América Latina (AL) que refletem sobre um “lado mais escuro”, de dominação europeia/estadunidense sobre o sistema-mundo, constituinte da modernidade e que repercute na contemporaneidade, denominado colonialidade. Registros apontam que as discussões para a concepção e organização do evento começaram na década de 1910. Em 1939, George Marshall, proprietário da Liga Nacional de Futebol (NFL), sugeriu ao presidente Roosevelt e figuras do governo dos Estados Unidos (EUA), a construção de uma competição desportiva pan-americana. Este evento visava tanto aumentar as movimentações financeiras em diferentes nações das Américas quanto permitir que os EUA cumprissem seus deveres de boa vizinhança e levassem o evangelho do desporto às Américas, pois os EUA lideravam o mundo no desenvolvimento esportivo. De fato, a ideia fundante dos Jogos Pan-Americanos originou-se do governo Roosevelt, a partir da política do pan-americanismo, com interesses próprios frente aos blocos de poder mundiais no contexto de guerras e disseminação de mecanismos ideológicos com vistas à integração das Américas e inserção da presença estadunidense em regiões da AL. Em 1940, líderes esportivos de diferentes países da América se reuniram em Buenos Aires e criaram o Comitê Desportivo Pan-Americano (ODEPA). Apesar de a maior parte da organização ser composta por representantes da AL, o primeiro presidente eleito pelos membros da ODEPA foi Avery Brundage, dos EUA. Na busca pela inauguração do Pan na década de 1940, Brundage sugeriu uma competição inicial entre uma equipe formada por atletas da América do Sul e Central e uma equipe dos EUA. O pensamento de Brundage revela um ideário de superioridade dos EUA sobre os latino-americanos, revelando ações de matriz colonial. Identificam-se outros indícios de colonialidade por via regimental do Pan. Apesar de autoridades e comitês olímpicos latino-americanos defenderem a autonomia do Pan, destacando que as instituições europeias não compreendiam as realidades da América, o evento apresentou seus documentos subordinados aos protocolos do Comitê Olímpico Internacional, constituído majoritariamente por europeus, propondo-se educar os latinos em assuntos esportivos. É possível sinalizar a ocorrência de eventos em perspectiva colonial na idealização do Pan. Verificou-se uma hierarquização entre AL e EUA, demarcadas por representantes dos EUA, bem como interesses político-econômicos próprios. À vista disso, faz-se necessário a continuidade de análises por outras fontes, à procura de indícios de colonialidade no desenvolvimento do Pan.
Palavras-chave Jogos Pan-Americanos, colonialidade, decolonialidade
Forma de apresentação..... Painel
Link para apresentação Painel
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