| Resumo |
A extensão universitária constitui um importante elo entre a academia e a sociedade, promovendo o diálogo e a disseminação do conhecimento científico produzido nas instituições de ensino. O Laboratório de Evolução de Invertebrados Aquáticos (LEIA), vinculado ao Departamento de Biologia Animal da Universidade Federal de Viçosa (UFV), além de desenvolver pesquisas científicas, participa ativamente de mostras e feiras científicas realizadas na própria universidade, em escolas públicas e praças de Viçosa e região. O objetivo é aproximar a população dos conhecimentos acerca de invertebrados aquáticos, de água doce e marinhos, por meio de abordagens lúdicas e adaptadas a diferentes faixas etárias e níveis educacionais. Entre as atividades de extensão, destacam-se a participação na Mostra Universitária (2023) e no projeto Ciência na Praça (2024 e 2025). A Mostra é voltada para estudantes do ensino médio que estão em fase de escolha de curso superior e universidade para ingressar. Nela, o LEIA apresentou um estande temático decorado com TNT azul e figuras em EVA que simulavam ambientes aquáticos, além de microscópios e lupas com exemplares de animais invertebrados, fixados ou vivos, como a Hydra viridissima. A iniciativa buscou não apenas despertar o interesse pela biodiversidade aquática, mas também mostrar que é possível realizar pesquisas nesses ambientes mesmo em uma universidade localizada no interior de Minas Gerais. Nas edições do Ciência na Praça, voltadas ao público infantil de escolas públicas, o grupo desenvolveu recursos pedagógicos como desenhos para colorir, painéis interativos com espécies típicas de ambientes aquáticos, e atividades sensoriais. Dentre as inovações, destacam-se a "Lupa Virtual", uma caixa com oculares que exibia vídeos de microrganismos em seu habitat natural, acompanhada de música ambiente com fones de ouvido, a "Caixa Sensorial", contendo elementos táteis como bolinhas de gel, conchas e animais de papel, e a "Caixa Misteriosa", com areia, água, plantas e resíduos plásticos, que permitia a simulação de ecossistemas terrestres e aquáticos impactados por ações humanas. Segundo a percepção/observação dos integrantes do LEIA, as experiências extensionistas revelaram o entusiasmo do público e o potencial da ciência quando comunicada de forma acessível. A interação com estudantes, especialmente os mais jovens, demonstrou como o uso de analogias com elementos do cotidiano facilita a compreensão e estimula a curiosidade. Foi possível utilizar abordagens criativas, como a simulação de dinâmicas ecológicas (e.g., predação, blooms, epibiose e invasão). Também se notou a importância de romper com a lógica verticalizada do ensino, propondo uma extensão baseada na escuta, no diálogo e na troca mútua de saberes. Ao ocupar espaços públicos com ciência de forma inclusiva e interativa, essas ações contribuíram para a valorização do conhecimento, a formação cidadã dos discentes e a construção de pontes entre universidade e sociedade. |