| Resumo |
Este trabalho analisa o papel da Igreja Católica como espaço de articulação da resistência contra empreendimentos minerários no estado de Minas Gerais, com foco no caso da comunidade de Lanas, no município de Araponga. A pesquisa parte da questão: de que forma o espaço religioso se coloca como ambiente de resistência contra a mineração? A hipótese central é que a Igreja Católica atua ao lado da população afetada, promovendo espaços de organização, debate e enfrentamento ao avanço da atividade mineradora. A metodologia adotada consiste em um estudo de caso, com entrevistas baseadas na História Oral, observação participante, levantamento de registros fotográficos e documentais, além da análise de fontes secundárias e bibliografia especializada. O objetivo geral é compreender como a Igreja se posiciona frente aos conflitos gerados pela mineração, e os específicos buscam analisar as reações iniciais da comunidade frente à mineradora, o papel da paróquia local e a dimensão do ambiente religioso como instância de organização social. A revisão bibliográfica parte da tradição minerária mineira desde os séculos XVII e XVIII, marcada por desigualdades sociais e por um uso político e simbólico da religião como ferramenta de controle. Em contraponto, destaca-se a atuação contemporânea da vertente progressista da Igreja, vinculada à Teologia da Libertação e à Comissão Pastoral da Terra (CPT), que tem se mostrado crucial na resistência a projetos de mineração, como o da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). Como se trata de uma pesquisa em andamento, ainda não há resultados e conclusões definitivos. Em Lanas, observou-se uma mobilização precoce contra o empreendimento, com reuniões realizadas dentro da capela local e manifestações de resistência, como a presença de uma placa contrária à mineração. A presença da empresa no território, com sondagens e visitas técnicas, provoca tensão e articulação, inclusive jurídica, por parte dos moradores. Este estudo busca compreender não apenas os aspectos sociais e políticos envolvidos, mas também o potencial dos espaços religiosos como núcleos ativos de resistência popular. |