| Resumo |
O minoxidil oral, originalmente desenvolvido para hipertensão severa, tem sido utilizado off-label em baixas doses para tratar queda capilar, assim como a finasterida, amplamente utilizada para a mesma finalidade. Embora os efeitos adversos da finasterida sejam bem documentados, os efeitos sistêmicos do minoxidil ainda são pouco compreendidos. O cabelo é um importante fator da autoimagem do indivíduo e, com isso, é progressiva a busca por medicamentos que promovam o crescimento dos fios. Sendo assim, torna-se necessário investigar os possíveis impactos hepáticos, dada a importância do fígado no metabolismo e biotransformação destas substâncias. Foram utilizados 120 camundongos machos Balb/c (n=20), divididos em 6 grupos: controle (água); veículo (Lauril Sulfato de Sódio), F5 (finasterida 5 mg/kg) e M2,5; M5 e M7,5 (minoxidil nas doses 2,5; 5 e 7,5 mg/kg). Os tratamentos foram administrados por gavagem por 84 dias. Após esse período, os animais foram eutanasiados e os fígados foram coletados, pesados e fixados por congelamento ou imersão em Karnovsky. Fragmentos congelados foram destinados às análises de enzimas antioxidantes: Superóxido dismutase (SOD), Catalase (CAT) e Glutationa S-transferases (GST); e marcadores de dano oxidativo: malondialdeído (MDA), proteína carbonilada (PCN) e óxido nítrico (ON). Fragmentos em Karnovsky foram incluídos e corados com hematoxilina e eosina para análises histológicas. As análises histomorfométricas foram realizadas usando sistema de 266 pontos em áreas de correspondência com núcleos (mono e binuclear) e citoplasma dos hepatócitos, capilares sinusoides, gotículas lipídicas, infiltrados inflamatórios e vasos sanguíneos. Os dados mostraram que houve redução da atividade da SOD no grupo F5, enquanto a CAT aumentou nos três grupos tratados com minoxidil. Os níveis de ON elevaram-se com as três doses de minoxidil e o MDA aumentou no grupo F5. Histologicamente, detectou-se aumento de gotículas lipídicas nos grupos F5 e M7,5. Esses achados sugerem que minoxidil e finasterida foram capazes de desencadear processos degenerativos e inflamatórios locais que podem afetar a funcionalidade do fígado. Assim sendo, é evidente a necessidade de estudos adicionais no auxílio à segurança e prevenção aos efeitos hepáticos adversos causados pelo uso dessas drogas. |