| Resumo |
Embora a literatura aponte avanços nas discussões sobre sustentabilidade em instituições de ensino, há lacunas sobre como essas instituições efetivamente estruturam, operacionalizam e monitoram a governança de suas políticas socioambientais e econômicas (Fissi et al., 2021; Oliveira, 2020; Castelão, 2020; Wachholz, 2014). Especialmente no contexto das universidades públicas brasileiras, onde a complexidade administrativa e a diversidade de stakeholders adicionam desafios particulares a integração de sustentabilidade em sua gestão (Moura-Leite et al., 2024). Este estudo parte dessa constatação para investigar os mecanismos de governança utilizados pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) na implementação de suas políticas de sustentabilidade. Investigação preliminar mostra que, a partir de 2012, a sustentabilidade foi formalmente incorporada como pilar central nos Planos de Desenvolvimento Institucional (PDIs), orientando decisões e investimentos em todas as esferas da universidade. Estamos realizando uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, pautada em análise temática (Braun & Clarke, 2006) de documentos institucionais divulgados pela organização entre 2012 e 2025. Compõem o corpus de análise Relatórios e Boletins de Sustentabilidade, que detalham ações e resultados, Plano de Gestão e Logística Sustentável (PLS), que delineia as estratégias operacionais, e os PDIs que estabelecem as diretrizes estratégicas de longo prazo na UFV. As categorias iniciais buscam compreender: a) a natureza dos mecanismos adotados para a sustentabilidade (ex.comitês, normativas etc.), b) como esses mecanismos estão estruturados, e c) quais resultados têm gerado em termos de impacto e avanços. Em seguida, essas categorias serão refinadas em três categorias analíticas principais (social, ambiental e econômica) conforme proposto pelo modelo Triple Bottom Line (Elkington, 1997), para avaliar como a estrutura de governança da organização tem permitido e otimizado o equilíbrio entre metas financeiras, ambientais e sociais em suas práticas. Esperamos oferecer evidências empíricas sobre um caso concreto, a fim de contribuir para o avanço das discussões sobre como práticas de governança ambiental se institucionalizam nas universidades e como podem ser aprimoradas por meio de políticas públicas mais alinhadas à realidade das IES brasileiras. |