| Resumo |
O Brasil é líder mundial na produção de carvão vegetal, com um setor abrangente que inclui a extração da madeira e o transporte do carvão vegetal até as siderúrgicas. Contudo, o transporte desse material enfrenta custos elevados devido à sua classificação como carga perigosa (classe 4.2) pela Resolução nº 5.947, de 1º de junho de 2021, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que especifica materiais suscetíveis à combustão espontânea. Esta classificação impõe uma série de exigências regulatórias, o que dificulta o entendimento e o cumprimento das normas relacionadas ao transporte. O objetivo desta pesquisa foi avaliar o ensaio de combustão espontânea, conforme preconizado pela ONU, em carvões vegetais produzidos a partir de clones de Eucalyptus, correlacionando esses resultados ao teor de voláteis e investigando como essa característica influencia o potencial de combustão do carvão vegetal. Os carvões vegetais utilizados neste estudo foram obtidos de amostras comerciais de carvão vegetal de Eucalyptus. Para o teste de combustão espontânea, foram utilizadas amostras de carvão vegetal, com diferentes teores de carbono fixo, sendo aproximadamente 80%, 77% e 68%, respectivamente. As amostras foram selecionadas em duas granulometrias (9x5x5 cm e 5x2,5x2,5 cm) e foram livres de contaminação por alcatrão. Após o preparo das amostras, foram realizadas análises químicas e os carvões foram submetidos ao teste de combustão espontânea, conforme o Manual de Ensaios e Critérios da ONU (2019) para o transporte de mercadorias perigosas. O experimento foi conduzido em uma estufa a 140 °C por 24 horas. Durante esse período, as temperaturas da amostra e da estufa foram registradas a cada hora, utilizando três termopares conectados a um termômetro digital. O critério para a ocorrência de combustão espontânea foi definido quando a temperatura da amostra superou 60 °C em relação à temperatura da estufa (140 °C). Os resultados evidenciaram a importância do teor de voláteis como fator determinante na suscetibilidade do carvão vegetal à combustão espontânea, destacando a necessidade de considerar esse parâmetro para melhorar o controle e o transporte seguro do carvão vegetal. |