| Resumo |
Este artigo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa de mestrado em andamento, que tem por objetivo construir coletivamente com as/os docentes, propostas pedagógicas antirracistas para o ensino fundamental em uma escola pública de Viçosa-MG. Apoiada nos estudos realizados por bell hooks (2017), Almeida (2019), Gomes (2003), Barros (2023), Rodrigues (2023), e Trindade (2010), assim como na Lei 10.639/03, buscamos tecer um diálogo sobre o desenvolvimento da educação antirracista na educação básica. Este estudo é de caráter qualitativo (Lüdke e André,1986), com foco na pesquisa-ação (Thiollent,1988). Para a coleta dos dados foram realizadas visitas à escola, para análise do Regimento Escolar e do Projeto Político Pedagógico da escola, e a biblioteca a fim de conhecer e analisar os livros antirracistas do ensino fundamental anos iniciais e finais. Posteriormente foram realizadas três rodas de conversas com os/as professores/as do ensino fundamental da escola. Neste trabalho apresentaremos os resultados produzidos na terceira roda de conversa, que versou sobre práticas pedagógicas a serem desenvolvidas ao longo do ano letivo, pois consideramos que está atividade pode contribuir para a descolonização do currículo escolar (Gomes, 2003) e (Pinheiro, 2023) bem como com o desenvolvimento da docência na educação básica (Cavalleiro, 2001). As rodas de conversas foram realizadas na escola no horário da reunião pedagógica dos/as professores/as, caracterizando o momento como uma formação continuada. A fim de atender a construção de práticas pedagógicas que possam dialogar com as culturas africanas e afro-brasileiras, os/as profissionais tiveram a oportunidade de refletir sobre a educação antirracista dentro das disciplinas que lecionam e apresentaram para o coletivo práticas que consideram possíveis de serem realizadas no cotidiano escolar. A partir da organização dos dados e resultados preliminares podemos apontar que as práticas apresentadas pelos/as professores/as podem contribuir para o trabalho docente e para a garantir que a educação antirracisa seja trabalhada na educação básica. Assim, concluímos que a formação continuada por meio do diálogo foi relevante para que os/as professores/as pudessem delinear atividades que valorizam as culturas africanas e afro-brasileiras. Ademais consideramos que a mudança dentro da escola acontece na ação, e para que ela ocorra os/as professoras precisam de tempo e oportunidade para estudar e refletir sobre os conteúdos a serem trabalhados com os alunos no processo de descolonização. |