| Resumo |
A casca de soja é um subproduto agrícola com grande potencial industrial, por ser uma biomassa abundante, de baixo custo e rica em polissacarídeos. Esses compostos podem ser hidrolisados em açúcares simples, utilizados na produção de adoçantes e biocombustíveis. No entanto, a hidrólise convencional geralmente requer catalisadores químicos que causam impactos ambientais negativos. Como alternativa mais sustentável, destaca-se a utilização de enzimas lignocelulolíticas. Porém, é necessária a utilização de misturas enzimáticas, nas quais diferentes enzimas atuam sinergicamente, promovendo uma hidrólise mais eficiente. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi hidrolisar a casca de soja utilizando misturas enzimáticas fúngicas produzidas por Cladosporium cladosporioides e Phaeoacremonium parasiticum. Os dois fungos foram adquiridos da coleção micológica do Laboratório de Patologia Florestal da UFV e foram mantidos a 28 °C em placas de BDA (batata-dextrose-ágar). Os fungos foram cultivados em meio semi-sólido contendo 5 g de casca de soja in natura como a fonte carbono, e 12 mL e meio mineral (NH₄NO₃ (1 g/L); KH₂PO₄ (1,5 g/L); MgSO₄ (0,5 g/L); CuSO₄ (0,25 g/L); extrato de levedura (2 g/L)) e 10 discos de micélio de 1,5 cm de diâmetro. Os frascos foram incubados por 8 dias a 28 °C. A obtenção dos extratos enzimáticos brutos se deu por adição de 50 mL de tampão acetato de sódio 50 mM pH 5,0 em cada frasco, e agitação em shaker a 150 rpm por 1 h, seguido de filtração e centrifugação a 15.000 g por 10 min. A atividade de FPase dos extratos brutos obtidos foi utilizada para padronizar a carga enzimática utilizada na hidrólise e mensurada pelo método colorimétrico do ácido 3,5-dinitrosalicílico, utilizando o substrato papel de filtro Whatman nº 1 (1 x 6 cm), por 60 min. Paralelamente, a casca de soja foi submetida a diferentes pré-tratamentos com uma carga de sólidos de 10 % a 121 °C por 60 min. Foram testadas 3 condições diferentes: hidrotérmico (apenas água), alcalino (NaOH 1,0 %) e ácido (H2SO4 0,5 %). Por fim, o extrato dos dois fungos e o coquetel Multifect CL (controle positivo) foram aplicados sobre as diferentes biomassas pré-tratadas, com uma carga de sólidos de 10 %, 2,5 FPU/g de casca e incubação em shaker a 50 °C por 120 h. Após esse tempo, foram avaliadas as concentrações de glicose e xilose por HPLC. O coquetel comercial mostrou o melhor resultado em relação à liberação de glicose quando utilizado para hidrólise da casca pré-tratada com ácido, produzindo 2,222 g/L, mas apenas 0,452 g/L de xilose. Já o extrato do fungo C. cladosporioides, quando aplicado sobre a biomassa após pré-tratamento alcalino, foi capaz de liberar 1,096 g/L de xilose e 1,007 g/L de glicose. Com isso, pode-se concluir que o extrato enzimático produzido pelo fungo C. cladosporioides se mostrou eficiente em hidrolisar a casca de soja pré-tratada. |