| Resumo |
A presente pesquisa contou com apoio da bolsa de Iniciação Científica do CNPq, concedida por meio do Edital PIBIC/UFV 2024-2025, e teve por objetivo geral propor uma análise dos ensaios presentes n’O diário da Tarde (1981), de Paulo Mendes Campus, visando discutir a crítica literária de dentro da ficção. Nascido na região de Belo Horizonte, em 1922, P. M. C. foi um “poeta, tradutor e cronista refinado”, como tem sido apresentado pelo site do Instituto Moreira Sales, onde se encontra o seu acervo. Como muitos outros escritores de sua geração, Campos encontrou na imprensa uma forma de trabalho com as letras em que conseguia garantir seu sustento. Em sua trajetória artística, jornalismo e literatura se articulam internamente, sobretudo na obra Diário da Tarde, livro que simula um jornal literário fundado, dirigido e redigido pelo próprio escritor. A cada capítulo, P. M. C. mescla poesias, ensaios, humor, comentários de futebol e máximas, dialogando com inúmeras referências bibliográficas. Trata-se, portanto, de pesquisa bibliográfica seguida de análise do corpus constituído de textos de crítica literária publicados no livro-jornal. Para tanto, o trabalho envolveu a pesquisa sobre a crítica literária e, a esse respeito, inclui textos como “O ideal do crítico” (1994), de Machado de Assis, “Notas de crítica literária - Ouverture” (2002), de Antonio Candido, e “Considerações sobre a crítica literária” (2024), de João Cézar de Castro Rocha. Ademais, a metodologia envolveu o estudo da recepção da obra de P. M. C., entrevistas e outros textos do escritor publicados em livros e na imprensa, a análise propriamente citada dos textos críticos e a elaboração de material didático, trabalhos acadêmicos e o relatório final. Acerca da recepção inicial da obra, Carlos Drummond de Andrade, em sua coluna no Jornal do Brasil, classificou O diário da Tarde como uma inovação no gênero, Gilberto Mendonça Teles, no Jornal de Letras, por sua vez, escreveu que, esteticamente, o livro era um dos mais bem organizados dos últimos tempos. Além disso, como definiu Betina Leme em sua dissertação de mestrado (2018), o livro pode ser considerado em alguns aspectos como uma síntese da obra de P. M. C. A crítica presente no Diário da Tarde se dirige, principalmente, aos escritores modernos e não se prende a uma nacionalidade ou gênero literário específico, alguns dos autores selecionados foram: Walt Whitman, Virgínia Woolf, Fernando Pessoa, Mark Twain, John dos Passos, Joseph Conrad, Garcia Lorca, Pedro Nava, Juan Ramón Jiménez e Bernard Shaw. Campos não segue um padrão rígido na forma das críticas, algumas vezes, seus textos são extensos, outras vezes, são bem mais sucintos. A linguagem utilizada por ele se destaca pela sutileza com que envolve um amplo repertório cultural sem perder a coloquialidade. A crítica é marcada por um profundo mergulho no texto dos autores, analisando a obra em conjunto com aspectos de sua trajetória artística e intelectual. |