Das Montanhas de Minas ao Oceano: Os Caminhos da Ciência para um Futuro Sustentável

20 a 25 de outubro de 2025

Trabalho 21348

ISSN 2237-9045
Instituição Universidade Federal de Viçosa
Nível Graduação
Modalidade Pesquisa
Área de conhecimento Ciências Biológicas e da Saúde
Área temática Dimensões Sociais: ODS3
Setor Departamento de Medicina e Enfermagem
Bolsa Não se Aplica
Conclusão de bolsa Não
Primeiro autor Iuri Vargas Targa Magalhães
Orientador LUCAS BORGES GOMES FERREIRA PINTO
Outros membros Bruno Peixoto Bernardi, Fernando Lopes Ferreira Coura, Guilherme Antony Costa Santos, Renan do Carmo Lopes
Título Perfil Epidemiológico do Acidente Elapídico no Brasil
Resumo INTRODUÇÃO: Acidentes elapídicos são provocados a partir da inoculação da peçonha por serpentes do gênero Micrurus, as corais verdadeiras. O envenenamento é caracterizado por um quadro clínico neurológico, na forma de síndrome miastênica aguda, com risco de evolução para insuficiência respiratória e óbito. Pela relevância dos acidentes ofídicos no Brasil e as particularidades do acidente elapídico, é essencial a compreensão clínica e epidemiológica para a prática assistencial. OBJETIVO: Descrever o perfil epidemiológico dos acidentes elapídicos no Brasil. METODOLOGIA: Estudo descritivo, ecológico, transversal, retrospectivo, com dados secundários obtidos pelo DataSUS, abrangendo o Brasil de 2010 a 2024. RESULTADOS: No período analisado, registraram-se 4279 casos de acidentes elapídicos no país. Destes, 3.032 casos (70,89%) envolveram homens. A faixa etária mais acometida foi entre 20 e 59 anos (n=2865; 66,95%); de 0 a 9 anos, 9,14%, de 10 a 19, 14,0%, e em idosos, 9,89%. Geograficamente, a região Nordeste apareceu em primeiro lugar nas ocorrências (n=2374; 55,5%), seguida da Sudeste (n=854; 19,96%), Norte (n=483; 11,29%), Centro-Oeste (n=290; 6,77%) e Sul (n=278; 6,5%); Bahia e Pernambuco apareceram como estados de maior ocorrência, com 12,53% e 10,66% dos casos, respectivamente, seguidos por Minas Gerais e São Paulo, 9,35% e 8,74%. Temporalmente, os acidentes ocorreram principalmente nos meses quentes e chuvosos: média de 410,34 casos (DP=39,25) de dezembro a maio, com um pico em março de 483 acidentes, e média de 302,84 casos (DP=16,70) nos outros 6 meses. Observou-se, também, um crescimento ao longo dos anos: de 210 casos em 2010 a 400 em 2024. Outro achado relevante foi que o maior número de acidentes não está relacionado ao trabalho (67,33%), com incidência relativa crescente; em 16,92% houve relação e em 15,74% não há informação. O intervalo entre o acidente e o atendimento foi de menos de uma hora em 36,5% do total, entre 1 e 3 horas em 30,22% dos casos, e mais de 3 horas em 24,94%, não havendo informações para o restante; ressalta-se que 250 pacientes foram atendidos apenas 12 horas após o acidente. Em relação ao tratamento, 60,03% receberam soroterapia (n=2568) enquanto em 32,94% (n=1409) não houve prescrição desta; em 302 casos não há informação. Poucos são os óbitos dos acidentes reportados (n=6; 0,14%); a grande maioria evoluiu para cura (n= 3607; 84,31%) e em 15,57% das notificações não há informação sobre a evolução. CONCLUSÃO: Os acidentes elapídicos no Brasil ocorrem majoritariamente em homens, com certo padrão de sazonalidade nos meses quentes e chuvosos e maior concentração no Nordeste. Observa-se crescimento ao longo dos anos e aumento dos casos sem vínculo ocupacional. A soroterapia foi amplamente empregada, com predomínio de desfechos clínicos favoráveis e baixa taxa de letalidade. Esses dados reforçam a importância do fortalecimento da vigilância, identificação precoce dos casos e acesso oportuno ao tratamento.
Palavras-chave Acidentes Elapídicos, Epidemiologia, Soroterapia
Forma de apresentação..... Painel
Link para apresentação Painel
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