| Resumo |
O percevejo marrom da soja, Euschistus heros (F.) (Heteroptera: Pentatomidae), está entre os insetos-praga de maior importância econômica do Brasil devido à expressiva ocorrência de danos na cultura de soja que incorrem em quedas no rendimento e nos lucros provenientes desta cultura. O principal método de controle destes insetos ainda se baseia no uso excessivo de compostos químicos em sua maioria neurotóxicos. No entanto, o uso indiscriminado destes compostos associado à pouca diversidade de mecanismos de controle pode induzir a seleção de populações resistes, além de contaminação ambiental por acúmulo de resíduos tóxicos, perigo à saúde humana, como também ação indesejada em indivíduos não-alvo. Então, com o propósito de amenizar os danos causados por esses produtos, este estudo foi realizado com o objetivo de prospectar novas moléculas com potencial para controle de E. heros e ação seletiva a organismos não-alvo (polinizadores). Foram sintetizadas 10 moléculas principais a partir do ácido mucoclórico. Para os testes de toxicidade, foram utilizados indivíduos em terceiro instar de Euschistus heros. O experimento foi conduzido, em primeiro momento, com a concentração de 3000 mg/L, equivalente a 0,3% das moléculas em solução. Os insetos foram expostos (dentro de frascos de vidro) a resíduos secos das moléculas e a mortalidade (%) foi avaliada após 24 e 48h de exposição. Em cada frasco foi utilizada uma alíquota de 1,8 mL de solução. Foram utilizadas 10 repetições por tratamento e o controle negativo foi feito com resíduos secos de acetona. As quatro moléculas com melhor desempenho (i.e., DE00, DE03, DE10 e DE12) foram testadas em diferentes concentrações para a construção de curvas dose-mortalidade. Das quatro moléculas selecionadas, as moléculas DE00, DE10 e DE12 apresentaram uma maior toxicidade com uma menor CL50 (concentração letal responsável pela mortalidade de 50% da população) e foram utilizadas para o teste de seletividade com as abelhas Partamona helleri (abelha sem ferrão) e Apis melífera (abelha africanizada). As abelhas foram alimentadas com solução de sacasore (50% m/v) contaminada com as moléculas, com auxílio de Tween 20 (0,1% [v/v]) e DMSO 1,25% [v/v]. Após 5h de alimentação, a dieta contaminada foi trocada por uma dieta pura (somente a sacarose 50% m/v) e os indivíduos foram avaliados por mais 24h para identificar a capacidade de recuperação dos insetos. Para este bioensaio, foram alimentadas 10 abelhas em cada unidade experimental, utilizando-se 5 repetições para cada molécula testada. Os controles negativos continham solução de sacarose 50% m/v com Tween 20 e DMSO. Felizmente, não foram registradas porcentagens significativas de mortalidade para ambas as espécies após 24 horas de experimento. Assim, conclui-se que as 3 moléculas testadas apresentam potencial inseticida promissor para o controle de E. heros e seletivo a abelhas, representando uma alternativa biorracional viável para o manejo sustentável dessa praga. |