| Resumo |
Introdução: O Brasil está entre os maiores produtores de leite do mundo, mas a indústria de laticínios enfrenta problemas para mitigar as consequências da contaminação do leite por bactérias psicotróficas. Pseudomonas spp. são capazes de secretar uma protease termorresistente, AprX, que compromete a estabilidade da matriz láctea. Objetivo: Avaliar o efeito de aditivos comerciais para controlar a gelificação enzimática do leite desnatado. Metodologia: Cinco aditivos comerciais, T1 (polifosfatos), T2 (pirofosfatos), T3 (citrato trissódico), T4 (tripolifosfatos) e T5 (ortofosfatos), foram incubados com o extrato contendo a protease AprX proveniente de Pseudomonas fluorescens 07A em tampão fosfato de sódio, pH 6,7. A atividade enzimática foi medida pelo método da azocaseína. Em seguida, o leite desnatado foi adicionado com 116 U/mL de AprX juntamente com cada um dos aditivos por 120 horas, tendo alíquotas retiradas nos tempos de 0, 2, 6, 12, 24 e 120 horas, e, com a enzima recuperada, dosou-se a atividade proteolítica remanescente. Utilizando 0,1 U/mL da AprX, avaliou-se o efeito sobre a gelificação do leite desnatado contendo 0,1 % (m/m) dos aditivos mencionados após passar pelo tratamento UHT. O estado de desestabilização do leite UHT foi acompanhado por registros fotográficos e SDS-Page nos tempos 0, 21, 42, 70, 84, 91 e 112 dias. Resultados: A atividade enzimática de AprX na presença dos aditivos mostrou que estes não afetaram a atividade proteolítica. Os resultados obtidos não apresentaram diferença estatística significativa em relação ao controle, com exceção dos ensaios com os aditivos T2 e T3, com atividade relativa de 57 e 83 %, respectivamente. Para o leite adicionado com AprX e aditivos por 120 horas, observou-se que a atividade recuperada foi menor que o controle positivo, que consistiu no leite mais AprX sem fosfatos, indicando que os aditivos surtem efeitos na presença de outros componentes do leite em menor tempo. O SDS-PAGE avaliou o desaparecimento da kappa-caseína do leite na presença dos aditivos mais AprX a longo prazo. O leite sem a presença de qualquer aditivo mais AprX gelificou com 84 dias, juntamente com o grupo experimental tratado com T1, enquanto os demais gelificaram em tempos inferiores a 84 dias. A natureza do aditivo interfere diretamente na estabilidade das micelas de caseínas, podendo inclusive acelerar o processo de gelificação, como observado em T4 e T5. Conclusão: Por fim, entende-se que muitos fatores podem estar envolvidos com o mecanismo de gelificação enzimática do leite e a adição de fosfatos comerciais pode ser uma alternativa para mitigar os efeitos da AprX no leite UHT. |