| Resumo |
Introdução: A adolescência, compreendida entre 13 e 19 anos, é uma fase marcada por transformações comportamentais, sociais e biológicas. Essas promovem consequências como o aumento da adiposidade corporal e a elevação nos níveis de substâncias inflamatórias desencadeadas a partir de hábitos como alimentação inadequada e sedentarismo, O acúmulo dessas substâncias e suas repercussões na antropometria contribuem para a para ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis, com impactos na adolescência, que podem se estender até a vida adulta. Objetivo: Avaliar impacto da variação de marcadores inflamatórios na adiposidade corporal de adolescentes. Método: Estudo longitudinal com 122 adolescentes atendidos pelo Programa de Apoio à Lactação (PROLAC) e avaliados enquanto recém nascidos, primeira infância e adolescência. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa (Parecer: 6.575.462). Os adolescentes foram incluídos mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos responsáveis e pelo Termo de Assentimento Livre e Esclarecido pelos próprios adolescentes. A análise de gordura corporal ginóide e andróide foi realizada pelo exame de densitometria óssea (DXA). Os marcadores inflamatórios avaliados foram Proteína C Reativa (PCR), Ácido Úrico, Neutrófilos e Linfócitos, obtidos a partir do exame de sangue. As variáveis foram avaliadas quanto à normalidade pelo teste de Shapiro Wilk, em seguida, utilizou-se a correlação de Spearman para avaliar a relação entre gordura ginóide e andróide e os marcadores inflamatórios (p<0,05). Resultados: A amostra foi composta por 122 adolescentes, sendo 48,36% (n=59) do sexo feminino e 51,64% (n=63) do sexo masculino, com média de idade de 18,65. Foi observada correlação positiva significativa entre o percentual de gordura ginóide e os níveis de ácido úrico (r = 0,684; p < 0,01), bem como entre gordura andróide relativa e ácido úrico (r = 0,617; p < 0,01). A gordura ginóide absoluta apresentou correlação fraca, porém significativa, com PCR (r = 0,265; p = 0,009). Conclusão: Os resultados deste estudo evidenciam que o aumento da gordura ginóide e andróide em adolescentes pode influenciar os níveis séricos de ácido úrico e PCR, biomarcadores associados ao risco cardiovascular e processos inflamatórios, respectivamente. Esses achados reforçam a importância do monitoramento, por profissionais de saúde, da composição corporal e de marcadores bioquímicos em adolescentes, visando à detecção precoce de alterações metabólicas e à promoção de estratégias preventivas, com ênfase no comportamento alimentar e estilo de vida, para reduzir o risco de doenças crônicas na vida adulta. |