| Resumo |
Diante da crescente geração de resíduos provenientes da cadeia produtiva do café, torna-se fundamental buscar alternativas sustentáveis para o reaproveitamento desses materiais. Considerando o potencial químico e biológico desses resíduos, o presente trabalho teve como principal objetivo desenvolver nanocápsulas contendo extratos obtidos a partir de variedades de café resistentes a pragas e doenças, visando seu uso no controle biológico no manejo integrado do cafeeiro com agentes menos agressivos e tóxicos ao meio ambiente e ao cafeicultor. Para isso, os extratos foram obtidos a partir de folhas e cascas secas de diferentes espécies de café, submetidas ao processo de extração a frio utilizando três solventes: etanol 70%, mistura etanol/água na proporção 1:1 e água destilada. As amostras permaneceram em extração por 72 horas, sendo posteriormente filtradas. Os extratos alcoólicos foram concentrados em rotaevaporador e após retirar o álcool os extratos passaram por liofilização, assegurando maior estabilidade e conservação dos compostos bioativos. A celulose nanofibrilada utilizada na formulação das nanocápsulas foi produzida a partir da polpa kraft do pergaminho do café, um subproduto lignocelulósico, por meio de moagem mecânica com cinco passagens em moinho específico, resultando em fibras de dimensão nanométrica. O processo de nanoencapsulamento foi realizado pelo método de nanoprecipitação, utilizando uma fase orgânica composta por celulose nanofibrilada, Span® 60, lecitina de soja e acetona, e uma fase aquosa contendo o extrato vegetal, Tween® 80 e água deionizada. A suspensão final foi concentrada até o volume de 10 mL, obtendo-se formulações com concentração final de 40 mg/mL de extrato nanoencapsulado. As nanocápsulas produzidas, bem como a celulose nanofibrilada, foram caracterizadas por espectroscopia no infravermelho, visando identificar os grupos funcionais presentes e confirmação do produto formado. As formulações com pelo menos 4 concentrações serão submetidas a testes de inseticida sobre o bicho mineiro e broca do café e fungicida sobre a ferrugem do café, tanto em bioensaios in vitro (em placas) quanto em experimentos conduzidos no campo em plantas de café, avaliando seu potencial no controle de patógenos e pragas relevantes da cafeicultura. (CNPq, Embrapa - Consórcio Pesquisa Café, FAPEMIG e Finep). |