| Resumo |
O uso da água ozonizada é uma das tecnologias alternativas que têm se destacado na descontaminação microbiológica de alimentos. Objetivou-se com este trabalho determinar o potencial da água ozonizada na descontaminação microbiológica e preservação da qualidade sensorial do café. Foi utilizado o café Arábica (Coffea arabica L.), variedade Catuaí Vermelho colhido de um talhão com altitude de aproximadamente 920 metros na região das Matas de Minas. Para o tratamento foram utilizadas amostras de 10 kg de café cereja descascado. Estas amostras foram submetidas à imersão em água com microbolhas sem ozônio e em água com microbolhas de ozônio por períodos iguais a 40, 60 e 90 minutos. A imersão do café foi feita em um tanque de polipropileno nas dimensões (0,15 x 0,35 x 0,75 m) e capacidade para 30 litros de água. Para a geração das microbolhas sem ozônio e microbolhas de ozônio na água foi utilizado um gerador de microbolha responsável pela circulação da água, a uma vazão volumétrica de 0,43 m3 h-1. Imediatamente após o processo de imersão do café, as amostras foram distribuídas em terreiros suspensos para a secagem. Para avaliar o efeito do tratamento na descontaminação microbiológica do café foram realizadas contagens de fungos filamentosos e leveduras, além das bactérias mesófilas. A caracterização da qualidade do café após os tratamentos foi feita através da análise sensorial baseada no protocolo da Associação de Cafés Especiais (SCAA). Para avaliar a qualidade físico-química da água de imersão do café foram feitas análises de condutividade elétrica, DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), DQO (Demanda Química de Oxigênio) e turbidez. O experimento foi realizado em delineamento inteiramente casualizado e foram feitos três tipos de tratamentos com o café cereja descascado (imersão em água com microbolhas sem ozônio, imersão em água com microbolhas de ozônio e apenas descascamento convencional). Os resultados da análise sensorial para o café cereja descascado não apresentaram diferença estatística significativa (P < 0,05) com pontuação média de 80,29. Em relação à descontaminação microbiológica para o café cereja descascado, o tratamento com imersão em água com microbolhas de ozônio por 40 min foi responsável por reduzir em 1,13 log UFC g-1 a contaminação por fungos filamentosos e leveduras. Para mesófilos aeróbios, este mesmo tratamento foi responsável por reduzir 0,54 log UFC g-1. Em relação às análises físico-químicas da água é importante destacar que houve uma redução expressiva nos valores de DBO e DQO na água de imersão do café cereja descascado com microbolhas de ozônio por 90 min. Os valores de DBO e DQO ao final deste tratamento foram iguais a 46,63 ± 1,62 e 93,43 ± 3,91 mg L-1 respectivamente. É possível concluir que a aplicação de água ozonizada como um pré-tratamento na secagem do café é uma tecnologia promissora para realizar a descontaminação microbiológica e manter a qualidade de cafés especiais. |