| Resumo |
Os plásticos, polímeros sintéticos provenientes de combustíveis fósseis, são amplamente utilizados em função de suas propriedades como resistência mecânica, durabilidade e boas barreiras a gases e a água. No entanto, sendo a maioria derivados de fontes fósseis e não biodegradáveis, os plásticos contribuem para impactos ambientais negativos que comprometem as práticas sustentáveis. Nesse contexto, o poli (ácido lático) (PLA), derivado de fontes renováveis, destaca-se como alternativa sustentável devido à sua biodegradabilidade e bom desempenho de processamento. Entretanto, algumas limitações em suas propriedades, podem restringir sua utilização como a sensibilidade à radiação ultravioleta (UV). A principal estratégia para aumentar a resistência do PLA à radiação UV é a adição de estabilizantes específicos. No entanto, os estabilizantes convencionais podem apresentar riscos à saúde e ao meio ambiente. Por esse motivo, biocompostos têm sido explorados como alternativas para uso como antioxidantes naturais. Os taninos, um polifenol amplamente disponível e de fonte renovável, por apresentar múltiplas bioatividades, como resistência à radiação UV, ação antioxidante e efeito antimicrobiano, pode conferir propriedades funcionais adicionais quando incorporado ao PLA. Deste modo, o objetivo deste trabalho foi produzir filmes compósitos a partir da adição dos taninos ao PLA e avaliar as propriedades ópticas e mecânicas do material. Os taninos provenientes da espécie Acacia mearnsii foram incorporados ao PLA em concentração de 10% e a suspensão foi moldada pelo método de casting. Os resultados das análises ópticas dos filmes indicaram que a adição dos taninos reduziu a transmitância de luz nas bandas de UV-Vis em aproximadamente 60%, evidenciando o efeito de estabilização contra a radiação UV. Em função das propriedades colorimétricas, a adição de 10% de tanino ao filme de PLA reduziu a luminosidade (L*) de 92,11 para 65,90, indicando que o filme tornou-se consideravelmente mais escuro. Os valores de a* aumentaram de -0,92 para 10,35 e de b* de 1,53 para 17,38, evidenciando uma mudança da tonalidade para cores mais avermelhadas e amareladas. O índice de branco (Y white) diminuiu de 80,94 para 35,19, enquanto o índice de preto (Y black) manteve-se baixo, passando de 11,48 para 7,84, corroborando com os resultados das coordenadas L*a*b*. Além disso, a diferença total de cor (ΔE) aumentou de 14,18 para 22,27, indicando uma alteração perceptível na coloração do filme após a incorporação do tanino. Quanto as propriedades mecânicas, foi observado 28,25 MPa de resistência à tração e 2,95% de alongamento na ruptura, quando adicionado os taninos, em comparação com 30,78 MPa e 2,32% do filme controle, ressaltando pouca influência na resistência do material. Portanto, conclui-se que os taninos podem ser utilizados como um aditivo para melhorar a durabilidade e funcionalidade do PLA, contribuindo para o desenvolvimento de bioplásticos mais sustentáveis. |