| Resumo |
O presente trabalho, vinculado ao Projeto de Extensão Cultura Afro-Brasileira, tem como objetivo compartilhar uma das suas experiência de extensão, mini-curso sobre "Racismo Algorítimo", que foi realizado em junho de 2025, gratuito e aberto a toda comunidade. A proposta surge da urgência de ampliar debates sobre temas ainda pouco explorados dentro da universidade e da sociedade civil, especialmente aqueles que tangem as relações étnico-raciais. Nesse sentido, o minicurso buscou evidenciar a falta de transparência dos algoritmos como uma das maiores problemáticas da era digital, no que tange a essa especificidade, uma vez que esses mecanismos operam a partir de lógicas enviesadas e reforçam desigualdades históricas. A crítica central está na forma como os algoritmos se relacionam com a memória hegemônica do mundo ocidental, muitas vezes marcada por um viés racista - parafraseando Safiya Noble, a inteligência artificial (IA), não só reproduz a violência com base na raça, mas cria uma nova manifestação do racismo. Dessa forma, busca-se demonstrar como a história de certos povos, especialmente os racializados, sistematicamente ocultada em prol de uma narrativa dominante que privilegia saberes brancos ocidentais; com resquícios do cristianismo. Verifica-se que, em meio a tempos marcados pelo avanço do Neoliberalismo, esse cenário se intensifica, visto que as grandes ferramentas tecnológicas, como o aprendizado de máquina e o Big Data, foram alimentadas com dados dessa memória oficial. Por conseguinte, tais dados carregam consigo preconceitos construídos historicamente, muitas vezes reforçados por ambientes como o Vale do Silício, onde essas tecnologias foram inicialmente desenvolvidas, por volta da década de 1960 - o termo “inteligência artificial” foi cunhado na Universidade de Dartmouth. Destarte, a concentração do saber técnico nas mãos de poucas e milionárias empresas, majoritariamente localizadas em países do Norte, impede que outros modos de operar tal tecnologia ganhem visibilidade. Soma-se a isso a ausência de políticas públicas efetivas por parte dos Estados, que deveriam fomentar iniciativas inclusivas, especialmente na ciência e além disso, que visem tanto dar visibilidade a povos marginalizados quanto conduzir esse conhecimento para tais populações. Diante desse panorama, a arte se apresenta como uma potente ferramenta de resistência, ao passo que oferece caminhos alternativos de narrar e intervir sobre o mundo, sendo capaz de denunciar as violências simbólicas promovidas por sistemas tecnológicos excludentes e, ao mesmo tempo, de propor novas formas de utilização contra-hegemônica da inteligência artificial. |