| Resumo |
As cianobactérias e microalgas desempenham papéis importantes nos ecossistemas, especialmente na produção de oxigênio por meio da fotossíntese. Tais organismos possuem metabolismo autotrófico, utilizando a luz solar como fonte de energia, mas também podem apresentar modos heterotróficos em condições específicas. Apesar da presença natural desses microrganismos em ambientes aquáticos, o crescimento descontrolado promove consequências negativas para o ambiente. As florações desses organismos causam diversos impactos negativos, como a produção de toxinas, redução de oxigênio dissolvido, alteração do pH e prejuízos à fauna aquática e à qualidade da água destinada ao consumo e à recreação. Diferentes tecnologias têm sido empregadas para controlar essas ocorrências, incluindo a aplicação de algicidas a base de cloro, uso de ultrassom, métodos físicos como barreiras e aeração, entre outros. Uma alternativa ainda não totalmente explorada é o uso do peróxido de hidrogênio (H₂O₂), que apresenta ação oxidante sobre o metabolismo celular. A eficácia do H₂O₂ pode ser potencializada pela adição de íons ferroso (Fe²⁺), promovendo a Reação de Fenton, a qual gera radicais hidroxila altamente reativos, capazes de degradar rapidamente biomoléculas essenciais aos microrganismos. Diante de estudos anteriores promissores com linhagens de Microcystis (IBOT-3060 e IBOT-3070), este trabalho introduziu para investigação a linhagem de microalga Scenedesmus obliquus (BR-003), cultivada em consórcio com as linhagens de cianobactérias, visando avaliar a ação do H₂O₂ e o sistema H₂O₂/Fe²⁺ no controle do crescimento desses microrganismos. Para análise do crescimento, consórcios da microalga BR-003 e das Microcystis foram preparados em meio de cultivo BG-11, e o crescimento foi conduzido em placas de Elisa (96 poços) com densidade ótica inicial de 0,1 em 750 nm. O cultivo ocorreu em shaker orbital (100 rpm), sob intensidade luminosa de 60 μmol m-² s-1 de fótons, com fotoperíodo 16:08 (claro:escuro). No segundo dia da curva de crescimento, foram aplicados os tratamentos com H₂O₂ (2M, 0,2M e 0,02M) e H₂O₂/Fe²⁺ (1,0 g de FeSO4.7H2O). Foram avaliados o crescimento e o conteúdo metabólico das culturas, incluindo clorofila, aminoácidos, proteínas, glicogênio e amido. Os resultados obtidos indicaram que o tratamento com H₂O₂ isolado já promove uma redução significativa na viabilidade das culturas; entretanto, a linhagem BR-003 demonstrou considerável capacidade de tolerância às concentrações aplicadas. Contudo, com a adição de FeSO₄, o efeito foi intensificado, resultando em um controle mais eficaz dos consórcios cultivados. Observou-se uma queda expressiva nos níveis de clorofila e de outros metabólitos, mesmo nos tratamentos com menores concentrações de H₂O₂/Fe²⁺, sinalizando a quebra de estruturas celulares e a inibição do metabolismo. Assim, o sistema H₂O₂/Fe²⁺ mostra-se uma alternativa promissora e eficiente para mitigar os efeitos das florações em ambientes aquáticos. |