| Resumo |
Escherichia coli é uma bactéria comum da microbiota intestinal de suínos e humanos, porém algumas cepas podem ser patogênicas, transmitidas pelos alimentos de origem animal e causar doença gastrointestinal em humanos. Além disso, a doença causada pode ser mais ou menos grave dependendo do patotipo de E. coli diarreiogênica (DEC) envolvido, incluindo E. coli enteropatogênica (EPEC), E. coli enterohemorrágica produtora de toxina Shiga (EHEC/STEC), E. coli enteroagregativa (EAEC), E. coli enterotoxigênica (ETEC) e E. coli enteroinvasiva (EIEC). Diante disso, o uso de antimicrobianos é o principal mecanismo utilizado para o controle desse patógeno, tanto para animais como para os humanos. O presente trabalho tem como objetivo a caracterização do perfil de resistência a antimicrobianos e da virulência de E. coli isolada de amostras de suínos. Amostras suabe da ampola retal foram coletadas de 100 animais em um frigorífico de MG. Os suabes foram cultivados em placas de Ágar MacConkey e incubadas em estufa por 18-24 h a 37°C. Foram selecionadas colônias com morfologia típica para E. coli e submetidas a testes bioquímicos para confirmação. Um total de 397 isolados de E. coli foram obtidos, sendo 182 selecionados para realização da técnica de disco difusão para avaliação da suscetibilidade a antimicrobianos, e identificação do patotipo presente pela detecção por PCR dos seguintes genes de virulência: eae, bfpA, aggR, ipaH, stx, elt e est. Para o antibiograma, foram testados 18 antimicrobianos de sete classes distintas sendo eles: beta-lactâmicos, quinolonas, aminoglicosídeos, macrolídeos, amfenicol, tetraciclinas e sulfonamidas, conforme procedimento descrito no Clinical and Laboratory Standards Institute - CLSI (2024). A frequência de resistência encontrada nos isolados foram: 92% à amoxicilina, 89% à ampicilina, 79% a cloranfenicol, 75% à tetraciclina, 73% à ciprofloxacina, 72% à enrofloxacina e estreptomicina, 59% à sulfametoxazol + trimetroprima e 45% à norfloxacino. Os demais antibióticos apresentaram resistência abaixo de 19%. Em relação aos resultados da PCR, três isolados foram classificados como EPEC (positivo para o gene eae), e 179 classificados como E. coli genéricas pois não apresentaram amplificação para nenhum dos genes testados. Os resultados deste estudo indicam uma importante resistência aos principais antimicrobianos utilizados atualmente na medicina veterinária, aumentando a preocupação sobre a eficiência dos tratamentos e disseminação de E. coli resistente, fato de grande importância para a saúde pública. |