Das Montanhas de Minas ao Oceano: Os Caminhos da Ciência para um Futuro Sustentável

20 a 25 de outubro de 2025

Trabalho 20937

ISSN 2237-9045
Instituição Universidade Federal de Viçosa
Nível Graduação
Modalidade Pesquisa
Área de conhecimento Ciências Humanas e Sociais
Área temática Dimensões Ambientais: ODS12
Setor Departamento de Administração e Contabilidade
Bolsa PIBIC/CNPq
Conclusão de bolsa Não
Apoio financeiro CNPq
Primeiro autor Rayssa Pereira de Oliveira
Orientador ALAN FERREIRA DE FREITAS
Título O papel das cooperativas na expansão do garimpo de ouro na Amazônia Legal
Resumo Este trabalho investiga a trajetória e a expansão do garimpo de ouro na Amazônia Legal, com foco no papel das cooperativas de garimpeiros enquanto agentes formais de exploração mineral. A pesquisa parte de uma abordagem integrada, combinando dados qualitativos e quantitativos, para desvendar como essas organizações operam na intersecção entre legalidade, sustentabilidade e interesses econômicos. Ao analisar a distribuição e o crescimento das Requisições e Permissões de Lavra Garimpeira solicitadas por cooperativas, o estudo problematiza o modelo cooperativista como possível pilar de ordenamento territorial ou, inversamente, como mecanismo de legitimação de práticas predatórias. Inserido no debate sobre o neoextrativismo latino-americano, fenômeno caracterizado pela intensificação da exploração de recursos naturais sob a justificativa do desenvolvimento, este trabalho explora os limites e as contradições da atuação cooperativa frente aos desafios ambientais e governamentais. A Amazônia Legal, convertida no principal "front" da mineração aurífera no Brasil, concentra hoje cerca de 91% dos garimpos do país. Entre 1985 e 2022, a área ocupada por garimpos de ouro saltou de 218 km² para 2.627 km², com um crescimento de 55% apenas entre 2019 e 2022. Esse avanço acelerado ocorre, em grande parte, de forma desordenada e ilegal: 77% das áreas mineradas apresentam indícios de irregularidade, e 41% foram abertas nos últimos cinco anos. Nesse contexto, o cooperativismo mineral ganha centralidade por ser amparado legalmente, conforme a Constituição Federal de 1988 e a Lei nº 7.805/1989, que preveem tratamento diferenciado e ampliação da área outorgada para cooperativas. Contudo, esse modelo tem se revelado ambíguo: enquanto oferece uma via legítima para a formalização da atividade garimpeira e suporte organizacional aos trabalhadores, também pode estar sendo utilizado como fachada para a expansão ilícita do garimpo. Entre 2019 e 2022, o número de Requisições de Lavra Garimpeira cresceu mais de 500% no país, um salto que evidencia não apenas o dinamismo do setor, mas também a fragilidade dos mecanismos de controle e fiscalização. A pesquisa propõe uma análise sobre o papel das cooperativas nesse processo, abordando desde seus modos de operação até seus impactos socioambientais e institucionais. O estudo lança luz sobre uma questão central: as cooperativas de garimpo contribuem de fato para uma mineração mais estruturada e sustentável, ou estão sendo instrumentalizadas como vetores da ilegalidade? Ao desvendar essas dinâmicas ocultas, esta pesquisa busca contribuir com subsídios para o aprimoramento da política mineral brasileira e para o fortalecimento da governança territorial na Amazônia Legal. Seu caráter analítico e investigativo responde à urgência de compreender um fenômeno em rápida transformação e de alta relevância estratégica para o futuro da região e do país.
Palavras-chave Garimpo de ouro, Amazônia Legal, Cooperativismo
Forma de apresentação..... Painel
Link para apresentação Painel
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