| Resumo |
Os dark septate endophytes (DSE) representam grupo polifilético de fungos que colonizam o interior das raízes das plantas. Formam estruturas típicas, caracterizadas por hifas melanizadas inter- ou intrarradiculares, com presença de septos, podendo ou não formar microescleródios. Os DSEs apresentam vasta gama de hospedeiros, incluindo plantas daninhas (PDs), e estão distribuídos em diversos ecossistemas. Podem atuar como promotores de crescimento vegetal, aumentando a absorção de água e nutrientes. Similarmente aos fungos micorrízicos arbusculares (FMAs), aumentam a tolerância da planta a estresses abióticos (estresse por salinidade e contaminação por metais pesados) e bióticos (ataque de pragas e doenças). Diante do exposto, os objetivos do presente trabalho foram os de isolar DSEs das raízes de Phyllanthus tenellus Roxb. e Cenchrus echinatus L. e determinar o potencial dos isolados obtidos em antagonizar o fitopatógeno Colletotrichum truncatum in vitro. Para o isolamento dos DSEs, foram selecionadas duas plantas daninhas: P. tenellus (quebra-pedra) e C. echinatus (capim-carrapicho), coletadas respectivamente em maio e julho de 2023, em Coimbra–MG e na UFV, Viçosa–MG. As raízes foram lavadas, desinfestadas com álcool 70 % e hipoclorito de sódio 2 % e lavadas com água destilada autoclavada. Fragmentos de 10 mm foram inoculados em meio ágar-malte com estreptomicina (100 mg mL⁻¹) e incubados a 28 °C no escuro por 15 dias. As colônias com características típicas de DSE (colônias cinza escuro, marrom ou preta) foram selecionadas para obtenção de culturas puras. Foram obtidos seis isolados de P. tenellus e oito de C. echinatus, dos quais apenas quatro de cada espécie foram confirmados como DSEs. O teste de potencial antagônico foi realizado com seis isolados, quatro provenientes de P. tenellus (QP01, QP03, QP04, QP06) e dois de C. echinatus (CC09, CC17), selecionados com base no crescimento mais rápido em ágar-malte. Foi utilizado o método de confronto direto em placas de Petri com meio BDA. Os fungos foram previamente cultivados por sete dias a 28 °C e repicados em lados opostos das placas, a 1 cm da borda. Após incubação por sete dias no escuro a 28 °C, mediu-se o halo de inibição entre os micélios e atribuiu-se notas de 1 a 5, conforme escala de Bell et al. (1982), indicando o grau de antagonismo. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, com três repetições. Dos seis isolados de DSE avaliados, três deles (QP01, QP03 e CC09) apresentaram porcentagem de inibição de C. truncatum superior a 80 %. Apenas o isolado QP06 não foi capaz de inibir o crescimento do fitopatógeno. Esses resultados indicam que os DSEs isolados possuem potencial para o manejo biológico de fitopatógenos, a exemplo do C. truncatum. |