| Resumo |
Cattleya guttata, pertencente à família Orchidaceae, nativa do Brasil, é reconhecida por seu grande valor ornamental e importância econômica. Entretanto, sua sobrevivência na natureza está sendo afetada negativamente devido a fatores antrópicos, como exploração e degradação ambiental para fins comerciais. A cultura de tecidos vegetais revela-se como uma técnica estratégica para conservação e propagação de C. guttata. O cultivo in vitro compromete processos fisiológicos importantes, como a fotossíntese, sendo necessária a disponibilização de fontes sintéticas de carbono, na forma de carboidratos para suprir aquelas que seriam sintetizadas no ambiente natural. O objetivo do presente estudo foi testar as diferentes fontes de carbono no cultivo in vitro de plântulas de C. guttata. O meio basal utilizado foi composto por sais e vitaminas MS, suplementado com 0,1 g/L de mio-inositol, 2,5 g/L de carvão ativado, isento de reguladores de crescimento e geleificado com 2,5 g/L de phytagel, sendo os tratamentos três diferentes fontes de carbono adicionadas ao meio. O primeiro com adição de sacarose a 87,7 mM (controle), o segundo tratamento 87,7 mM de glicose e o terceiro foi utilizado glicose + sacarose (43,8 + 43,8mM). O delineamento adotado foi em DIC, com 5 repetições e 5 plântulas por repetição, individualizadas uma por frasco com 40 mL de meio de cultura, acondicionadas em sala de crescimento, com 25,0 ± 1,0°C e 40 µmol m-² s-¹ de intensidade luminosa. Após 45 dias de subcultivo, foram avaliados número de brotações, número de raízes, altura e massa seca das plântulas, os dados foram submetidos à ANOVA e se significativos comparados pelo teste de Tukey (p<0,05). A adição de sacarose + glicose aumentou em 110% a altura das plântulas, porém o efeito isolado da glicose levou a obtenção de plântulas menores, em relação ao tratamento controle. Para o número de raízes não foi observado diferença significativa entre os tratamentos, portanto diferentes fontes de carbono possuem baixa influência na rizogênese da espécie. A análise do número de brotos mostrou que o tratamento com sacarose isoladamente obteve uma melhor resposta (3,2cm) em relação aos demais tratamentos. Enquanto para massa seca, os tratamentos sacarose (9,2%) e sacarose + glicose (10,7%) obtiveram maior incremento de massa nos tecidos (Glicose 6,2%). Os três tratamentos exibiram efeitos distintos sobre as variáveis, portanto as diferentes fontes de carbono influenciam no cultivo in vitro de C. guttata. Os tratamentos sacarose + glicose e sacarose isolada influenciaram positivamente o crescimento e número de brotações da espécie respectivamente. O tratamento constituído por glicose apresentou resultados inferiores às demais fontes de carbono analisadas. Conclui-se que a escolha da fonte de carbono utilizada se faz importante para proporcionar um melhor desempenho das plântulas cultivadas, otimizando protocolos de micropropagação para esta espécie ameaçada. |