| Resumo |
O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de rochas ornamentais do mundo, sendo esse um setor responsável por gerar um grande volume de resíduos que, quando descartados de forma inadequada, trazem impactos negativos ao meio ambiente e à saúde pública. Paralelamente, nota-se uma dificuldade de acesso a tintas para pintura residencial, principalmente em comunidades carentes, devido ao elevado custo. Nesse contexto, o projeto “ColorINDO” tem como objetivo desenvolver tintas imobiliárias de baixo custo, utilizando resíduos do beneficiamento de rochas ornamentais (RBROs) coletados na microrregião de Viçosa. O projeto também busca promover a inclusão social por meio da produção e aplicação dessas tintas em comunidades em situação de vulnerabilidade social. A elaboração deste estudo ocorreu em três fases. A primeira fase concentrou-se em atividades laboratoriais para verificar o atendimento aos critérios da norma e definir a proporção ideal dos componentes da tinta. Já a fase dois foi o momento em que buscou-se compartilhar o conhecimento adquirido com a comunidade acadêmica. E simultaneamente, a fase três, é marcada pelas atividades extensionistas, com o uso das tintas no contexto social. Quanto à primeira fase, para a produção das tintas, foram utilizados o RBRO como pigmento, água como solvente e a resina poliacetato de vinila (PVA) como ligante. A proporção dos componentes das tintas foi definida com base no estudo de Veloso Moura et al. (2023), e correspondeu a 44% de RBRO, 35% de água e 21% de resina. O estudo mencionado foi desenvolvido a partir de outro resíduo. Desta forma, foi necessário a realização de ensaios laboratoriais para verificar se, mantendo a proporção, mas com resíduos diferentes, seria possível atender aos critérios estabelecidos pela ABNT NBR 15079-1:2021. Os resultados obtidos foram satisfatórios para a categoria de tintas imobiliárias de classe econômica, com valores de 5,03 m²/L para o poder de cobertura (valor mínimo de 4,0 m²/L) e 139 ciclos para o teste de resistência à abrasão (valor mínimo de 100 ciclos). O conhecimento laboratorial adquirido permitiu o prosseguimento para segunda fase, em que o projeto marcou presença nas semanas acadêmicas dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil , o que possibilitou uma maior divulgação do conhecimento sobre o uso de tintas sustentáveis. Simultaneamente, desenvolveu-se a fase extensionista, em que o projeto “ColorINDO” realizou mais de 12 ações junto à comunidade, incluindo a pintura de residências e espaços comunitários, promovendo um contato direto com a população. Ao todo, foram produzidos 960 litros de tinta a partir de mais de 600 kg de resíduo coletado, o que permitiu a pintura de uma área total de 2.274 m² de superfície. Essa etapa foi fundamental para fazer da pesquisa científica uma ação concreta, além de fortalecer a relação entre universidade e comunidade, promovendo a transformação social por meio do acesso à pintura da casa. |