| Resumo |
Este relato de experiência apresenta uma reflexão sobre o enfrentamento ao racismo em uma escola pública, situada no município de Viçosa (MG), a partir da vivência de uma bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), núcleo Educação do Campo - UFV, no ano de 2025. O episódio ocorreu durante a participação da escola nos Jogos Escolares de Viçosa (JEVS), quando, durante a transmissão ao vivo de uma partida, um comentário de cunho racista foi proferido contra os estudantes da instituição. A fala racista mobilizou a escola de forma imediata, resultando no registro de boletim de ocorrência e na articulação de uma resposta pedagógica à situação. Embora a Lei nº 10.639/2003 estabeleça a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira em todas as etapas da educação básica, e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reforce a necessidade de uma educação antirracista, muitas escolas ainda enfrentam dificuldades para tratar a temática de forma transversal e contínua. No entanto, situações de violência simbólica e estrutural, como a vivenciada, tornam impossível a omissão, exigindo uma atuação efetiva por parte da gestão e do corpo docente. Nesse contexto, estudantes e professores se uniram para promover ações de enfrentamento, como a produção de cartazes com frases como “Racismo é crime” e a realização de rodas de conversa, tornando o episódio um momento de escuta, denúncia e formação crítica. A metodologia adotada neste trabalho baseia-se em registros reflexivos da pibidiana, observações de campo e participação nas ações pedagógicas decorrentes do caso. A vivência revelou a importância do PIBID na formação de professores sensíveis às dinâmicas reais da escola pública, que aprendem a atuar de forma crítica, ética e colaborativa. Situações como essa exigem não apenas conhecimento teórico, mas escuta, empatia e compromisso com os direitos humanos. Como resultados, destaca-se o fortalecimento de vínculos entre os sujeitos da escola, a ampliação do debate sobre racismo no cotidiano escolar e o amadurecimento dos estudantes em formação. A experiência reafirma que educar é também lidar com o imprevisível, e que a presença contínua dos pibidianos no chão da escola lhes permite desenvolver uma formação mais sólida, crítica e comprometida com uma educação inclusiva e transformadora. |