| Resumo |
Dentre as principais afecções que acometem os órgãos reprodutivos de fêmeas bovinas, as infecções uterinas destacam-se por sua elevada prevalência e pelos significativos prejuízos econômicos que acarretam à atividade pecuária. Como método de tratamento para essas enfermidades, a antibioticoterapia é o mais comumente utilizado. No entanto, devido ao crescente desenvolvimento de bactérias multirresistentes, e as consequentes restrições do uso desses medicamentos, novas estratégias terapêuticas vêm sendo investigadas. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o tratamento da endometrite clínica, comparando a terapêutica exclusivamente antibiótica por infusão uterina com a infusão de plasma rico em plaquetas (PRP) autólogo. Para tal, os animais foram examinados quanto aos parâmetros físicos do conteúdo intrauterino, citologia e cultivo microbiológico do fluido uterino obtido por lavado uterino de baixo volume (LBV). Foram utilizadas 16 vacas positivas para endometrite nos exames de citologia uterina e cultura microbiológica. Esses animais foram divididos em dois grupos de tratamento, sendo eles: Grupo 1 (n=8): Antibioticoterapia, Metrifim®️, 50 ml por infusão uterina; Grupo 2 (n=8): Infusão intrauterina de 20 ml de PRP. Anteriormente aos tratamentos, foi feito LBV com solução fisiológica NaCl 0,9% em todos os animais, para a remoção do exsudato e coleta do conteúdo uterino. Após 10 dias do tratamento, as vacas foram submetidas aos exames citológicos, microbiológicos e análise macroscópica do fluido uterino. Com base nos resultados dos exames realizados, os animais foram classificados como curados ou não curados. Os animais que foram submetidos ao tratamento com infusão de plasma rico em plaquetas (PRP), 100,00% (8/8) apresentaram alterações macroscópicas do fluido uterino na primeira avaliação e 12,5% (1/8) na segunda avaliação. Além disso, após o tratamento, 87,50% (7/8) foram curados da endometrite. Em relação aos animais que passaram pelo tratamento com antibacteriano, 100,00% (8/8) apresentaram alterações macroscópicas do fluido uterino na primeira avaliação e 37,50% (3/8) na segunda avaliação. Outrossim, a taxa de cura dos animais desse tratamento foi de 62,50% (5/8). No método citológico, avaliou-se a contagem de células polimorfonucleares no fluido uterino. Observou-se que 12,5% (1/8) das vacas tratadas com PRP apresentaram contagem superior a 18%, enquanto no grupo tratado com antibiótico esse percentual foi de 37,5% (3/8). Ademais, os principais agente encontrados nos exames microbiológicos foram: Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli beta hemolítica e Trueperella pyogenes. Considerando os resultados apresentados, conclui-se que a terapia com PRP demonstrou eficácia comparável, ou superior, à antibioticoterapia no tratamento da endometrite clínica em fêmeas bovinas. Posto isto, o uso do PRP configura-se como uma alternativa terapêutica promissora, especialmente diante do cenário atual de resistência antimicrobiana. |