| Resumo |
A leptospirose é uma doença zoonótica causada por bactérias do gênero Leptospira e é considerada um importante problema de saúde pública. Atualmente, as vacinas licenciadas contra a leptospirose são bacterinas, compostas por células inteiras inativadas. No entanto, essas vacinas oferecem uma proteção de curto prazo, específica para o sorovar, não impedem a colonização por Leptospira e podem causar efeitos adversos. Diante dessas limitações, novas estratégias envolvendo antígenos recombinantes de Leptospira têm sido investigadas para o desenvolvimento de vacinas. Essas abordagens buscam induzir uma resposta imune mais ampla, segura e duradoura, capaz de proteger contra diferentes sorovares da bactéria. A utilização de proteínas recombinantes permite direcionar a resposta imune aos epítopos conservados da bactéria, aumentando o potencial de proteção cruzada. Além disso, esse tipo de vacina pode ser produzida com maior segurança, representando um avanço em relação às formulações convencionais. O objetivo deste estudo foi obter antígenos recombinantes para o desenvolvimento de uma vacina capaz de estimular uma resposta imune protetora e ampla contra a leptospirose em animais, buscando oferecer uma alternativa eficiente para o controle e prevenção dessa doença. A sequência gênica responsável por codificar a proteína recombinante foi inserida em vetor de expressão procariótico. O plasmídeo foi então introduzido em Escherichia coli para expressão heteróloga da proteína, que foi purificada. Após o preparo da formulação com adjuvante, hamsters receberam duas imunizações, com coleta de soros em diferentes momentos para avaliação da resposta imune por ELISA. Por fim, foi realizado o desafio e os resultados foram analisados estatisticamente por ANOVA para determinar a eficácia protetora. A expressão e purificação da proteína quimérica foram confirmadas com sucesso por SDS-PAGE e Western Blotting, evidenciando a obtenção de um produto recombinante com bom grau de pureza. A formulação contendo adjuvante mostrou-se eficaz na proteção dos animais imunizados quando submetidos ao desafio experimental com a bactéria, resultando em maior taxa de sobrevivência e menor ocorrência de sinais clínicos da leptospirose. A proteína recombinante desenvolvida se mostra uma candidata promissora para o desenvolvimento de uma vacina contra a leptospirose, com potencial para proteger contra diferentes tipos de sorovares da bactéria. Novas formulações e combinações com adjuvantes ainda precisam ser testadas para que se chegue a uma estratégia mais eficaz, segura e inovadora no combate a essa doença, que é amplamente disseminada. |