| Resumo |
Introdução: A deficiência/insuficiência de vitamina D na infância pode estar relacionada às dislipidemias a longo prazo. Entretanto, essa relação longitudinal ainda é pouco investigada. Objetivo: Avaliar a associação da deficiência/insuficiência de vitamina D na infância e as dislipidemias na adolescência. Metodologia: Trata-se de uma coorte prospectiva fechada com 273 participantes da “Pesquisa de Avaliação da Saúde do Escolar” (PASE) da Universidade Federal de Viçosa (UFV). O estudo da linha de base foi realizado com crianças de 8 a 9 anos matriculadas em escolas públicas e privadas da área urbana de Viçosa, Minas Gerais, em 2015-2016; enquanto o estudo de seguimento aconteceu com os adolescentes de 15 a 18 anos entre 2022-2024. Avaliou-se a vitamina D sérica, classificada de acordo com Holick et al. (2011), e os marcadores do perfil lipídico (colesterol total, lipoproteína de alta densidade-colesterol - HDL-c, lipoproteína de baixa densidade-colesterol - LDL-c, e triglicerídeos), classificados de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2017). O teste de McNemar foi utilizado para comparar as prevalências de deficiência/insuficiência de vitamina D e de dislipidemias entre as duas fases. A associação entre a deficiência/insuficiência de vitamina D na infância e as dislipidemias na adolescência foi avaliada pelo teste de qui-quadrado de Pearson e de tendência linear, com nível de significância estatística de 5%. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFV (nº 663.171/2014 e nº 4.982.479/2021). Resultados: A média de idade das crianças e adolescentes foi 8,5 (±0,5) e 16,3 (±0,8) anos, respectivamente, sendo 52,4% do sexo feminino. As prevalências da deficiência/insuficiência de vitamina D sérica (58,8% versus 76,6%, P<0,001), colesterol total (22,7% versus 29,7%, P=0,03) e LDL-c elevados (16,1% versus 22,3%, P=0,04) aumentaram da infância até a adolescência. Entretanto, houve uma redução da prevalência de triglicerídeos aumentados entre as duas fases (45,8% versus 22,7%, P<0,001). O estado nutricional de vitamina D na infância apresentou associação linear com o colesterol total e LDL-c elevados na adolescência (Ptendência=0,048 e Ptendência=0,050, respectivamente), na qual houve maior frequência dessas alterações em crianças com deficiência de vitamina D comparadas às suficientes (45,2% versus 25,0%, P=0,03; 45,2% versus 20,5%, P=0,006, respectivamente). Conclusão: As prevalências de dislipidemias aumentaram da infância à adolescência, sendo maiores em crianças com deficiência de vitamina D comparadas às suficientes. Portanto, é necessário monitorar o estado nutricional da vitamina D sérica desde a infância para auxiliar na prevenção de dislipidemias a longo prazo. Apoio financeiro: CNPq (processos nº. 478910/2013-4 e 407547/2012-6); FAPEMIG (processos nº. APQ-02979-16 e APQ-02793-21); e CAPES (código 001). |