Das Montanhas de Minas ao Oceano: Os Caminhos da Ciência para um Futuro Sustentável

20 a 25 de outubro de 2025

Trabalho 20833

ISSN 2237-9045
Instituição Universidade Federal de Viçosa
Nível Graduação
Modalidade Ensino
Área de conhecimento Ciências Humanas e Sociais
Área temática Dimensões Sociais: ODS4
Setor Departamento de História
Bolsa PIBID
Conclusão de bolsa Não
Apoio financeiro CAPES
Primeiro autor Gabriel Garcia Cardoso
Orientador PRISCILA RIBEIRO DORELLA
Outros membros Anna Júlia Campidele Fernandino, Gabriel Patrick Santos Paula
Título Desafios para a História Indígena no Ensino Médio: Propostas pedagógicas a partir da análise crítica de Livros Didáticos
Resumo A legislação brasileira determina a obrigatoriedade do ensino da história e cultura indígena nas escolas, através da lei nº 11.645/2008. Todavia, o conteúdo dos livros didáticos utilizados no ensino de História tem revelado uma presença superficial e fragmentada da temática indígena, dando ênfase à uma história onde o sujeito indígena é secundarizado como agente histórico (GRUPIONI, 1995). Essa realidade contribui para a aplicação de um currículo que não cumpre os objetivos prescritos pela legislação, alinhada a uma educação crítica e multiétnica. Frente a esse cenário, nosso trabalho busca discutir e propor caminhos para a aplicabilidade e qualificação do ensino de história dos povos indígenas, relacionando as práticas pedagógicas com as diretrizes legais, pela urgência de uma educação antirracista e democrática.

Este projeto caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, com base em análise documental de materiais didáticos de História da 3ª série do Ensino médio. Foram analisados 20 livros didáticos do acervo do colégio Cap-Coluni, na cidade de Viçosa, em uma amostragem com edições entre os anos de 2005 e 2017. Buscamos realizar um exame crítico dos livros didáticos, encarando o currículo escolar como instrumento responsável pela reprodução de valores hegemônicos em uma sociedade (APPLE; 1979). A partir dessa análise, identificou-se a abordagem e a constância com que a temática indígena é levantada. A metodologia buscou, portanto, estabelecer um diálogo entre o diagnóstico dos livros didáticos e as possibilidades didático-pedagógicas para a superação da limitação encontrada.

A análise dos materiais didáticos confirmou a superficialidade da abordagem da história indígena, evidenciada pela limitação temporal (foco no passado distante e romantizado), pela homogeneização da cultura e diversidade indígena e pela ausência de protagonismo e agência por parte dos povos nativos ao longo da história republicana no século XX. A partir dessa constatação, a discussão se concentra em alternativas e estratégias para a mudança de direção da temática, tais como: a valorização da história oral e da memória indígena; a inclusão de diferentes perspectivas e fontes historiográficas, como os estudos decoloniais; o uso de literatura indígena e a promoção de debates sobre a legislação brasileira diante da causa indígena na atualidade; assim como a integração interdisciplinar com outras áreas do conhecimento (MACEDO; 1995).

Este estudo reforça a necessidade de se rever a abordagem da história indígena nos materiais e práticas pedagógicas, transpondo a superficialidade identificada para um ensino que fortaleça a pluralidade e a integração das culturas originárias ao longo da história brasileira. A efetivação da Lei nº 11.645/2008 exige não apenas a presença, mas a integração profunda e crítica da história indígena no currículo, promovendo uma educação mais inclusiva, crítica, e que contribua para a desconstrução de preconceitos e estereótipos.
Palavras-chave História e cultura indígena, Livro didático, Lei nº 11.645/2008.
Forma de apresentação..... Painel
Link para apresentação Painel
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