Das Montanhas de Minas ao Oceano: Os Caminhos da Ciência para um Futuro Sustentável

20 a 25 de outubro de 2025

Trabalho 20820

ISSN 2237-9045
Instituição Universidade Federal de Viçosa
Nível Graduação
Modalidade Pesquisa
Área de conhecimento Ciências Humanas e Sociais
Área temática Dimensões Sociais: ODS4
Setor Departamento de Arquitetura e Urbanismo
Bolsa PIBIC/CNPq
Conclusão de bolsa Não
Apoio financeiro CNPq
Primeiro autor Tainá Tábata Fialho Martins
Orientador MARILIA SOLFA
Título Arquitetura, cinema e a criação de identidades culturais: um estudo acerca da cenografia nos filmes A Compadecida (1969) e Bacurau (2019)
Resumo A arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992) é grandemente reconhecida nos campos da arquitetura e do design, mas é também formadora de um legado que engloba outras áreas de atuação, como o design de figurinos e de cenários para teatro e cinema e o estudo da cultura popular. Uma das obras que engloba a visão multidisciplinar e a perspectiva de Lina acerca da cultura popular é A Compadecida (1969), com direção de George Jonas e arquitetura cênica creditada à Bo Bardi. A arquiteta também possui trabalhos não creditados em parceria com o diretor Glauber Rocha, importante nome do movimento Cinema Novo, cujas influências se estenderam para produções futuras. Dentre elas, está Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, com direção de arte creditada a Thales Junqueira e cenografia de Dani Vilela. Ambas as obras destacam o Nordeste e seu contexto cultural, social e político como local de desenvolvimento das tramas, abordando temas semelhantes apesar do distanciamento temporal de meio século entre si. Assim, esta pesquisa objetiva realizar uma análise que aproxima os campos da arquitetura, do cinema e da cultura, utilizando como objeto de estudo o trabalho arquitetônico envolvido na criação das cenografias com o intuito de fortalecer identidades culturais brasileiras nas obras cinematográficas destacadas. Após a identificação dos temas compartilhados entre os longas-metragens, foi desenvolvida uma metodologia de análise a partir do estudo de metodologias fílmicas já consolidadas. A sistematização possibilitou investigar as obras em diferentes níveis, desde o seu contexto de produção, perpassando pelo propósito geral da narrativa, até o exame de cenas, planos e fotogramas. Por fim, foram elaboradas tabelas que exibem as estratégias de criação das identidades culturais nos filmes a partir do design de produção, com o intuito de identificar e comparar os projetos de arquitetura cenográfica desenvolvidos em cada um. Assim, concluiu-se que, em A Compadecida, Lina buscou evidenciar a cultura popular enquanto parte do cotidiano de seus criadores, utilizando referências do Tropicalismo e da Arte Povera para criar cenários e objetos embasados no artesanato nordestino. Porém, o filme foi concebido em um momento de criação de uma imagem do Nordeste que foi amplamente utilizada por produções posteriores e, com o tempo, adquiriu um caráter de estereótipo. Assim, em Bacurau o foco estava em romper com esse padrão e especialmente com a visão do povo nordestino enquanto vítima. Dessa forma, a cenografia evidencia a cultura e a história como ferramentas de conscientização social e de resistência, fundindo elementos tradicionais a elementos tecnológicos e contemporâneos que referenciam o contexto distópico da trama. Logo, as obras ressaltam a cultura popular como instrumento de transformação social e como integrante de uma arte viva e, por isso, não estática no tempo, detendo a cenografia importância ímpar na documentação dessa realidade.
Palavras-chave Arquitetura Cênica, Cultura Popular, Lina Bo Bardi
Forma de apresentação..... Vídeo
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