| Resumo |
A demanda por produtos naturais com alto conteúdo de proteínas e propriedades funcionais aumenta a cada ano. Nesse contexto, microalgas e cianobactérias assumem um papel chave para oferecer produtos ricos, no aspecto nutricional, e como fonte de suplementos funcionais. Esses microrganismos são comercializados, na maioria dos casos, na forma em pó para facilitar o manuseio, uso, transporte e armazenamento. A qualidade e estabilidade dos microrganismos desidratados durante a estocagem depende do método de secagem, embalagem e condições de armazenamento. Muitos estudos sobre secagem de biomassa focam na técnica de secagem e sua viabilidade, com pouca ênfase na qualidade do material desidratado ao longo do tempo e na inativação de compostos de interesse. Os parâmetros para avaliação da qualidade da biomassa seca devem seguir normas regulamentadas pelos órgãos governamentais de gerenciamento da qualidade de produtos com base na preservação dos compostos celulares, entre os quais, destacam-se os pigmentos, que constituem a primeira linha de defesa das células nos ambientes oxidativos. O objetivo deste trabalho foi avaliar a qualidade da microalga Scenedesmus obliquus BR003 após concentração por floculação seguida de sedimentação, filtração e secagem com circulação de ar a 30, 55 e 80 ºC até a umidade de equilíbrio. Os estudos para concentração e secagem foram conduzidos na planta piloto de produção de microalgas e cianobactérias do Laboratório de Biocombustíveis da UFV. A quantificação de pigmentos foi efetuada por cromatografia líquida de alta eficiência ultra rápida e avaliação colorimétrica. A secagem por convecção foi preservativa para os pigmentos em todos os tratamentos, corroborada pela análise colorimétrica cuja intensidade de cor verde foi mantida constante. Os teores de pigmentos, reconhecidos como nutracêuticos e antioxidantes naturais, luteína, clorofilas a e b, e betacaroteno não apresentaram diferenças significativas durante a secagem. Os valores observados foram de 4000 a 6000 μg/g para luteína, 6000 a 8000 μg/g para clorofila b, 7000 a 8000 μg/g para clorofila a e de 1000 μg/g para betacaroteno. Os estudos de comportamento biomassa durante o processo de secagem foram reportados e mostraram que a temperatura da biomassa se mantém abaixo de 50 °C mesmo com temperaturas elevadas do ar de secagem (80 °C). Esses resultados mostraram que as variações no binômio tempo-temperatura durante o processo de secagem mantiveram a estabilidade das microalgas, evidenciando a eficiência do sistema de concentração e secagem na preservação da biomassa, o qual pode ser utilizado para secagem de outros microrganismos, como por exemplo, as cianobactérias. |