Das Montanhas de Minas ao Oceano: Os Caminhos da Ciência para um Futuro Sustentável

20 a 25 de outubro de 2025

Trabalho 20780

ISSN 2237-9045
Instituição Universidade Federal de Viçosa
Nível Graduação
Modalidade Pesquisa
Área de conhecimento Ciências Humanas e Sociais
Área temática Dimensões Econômicas: ODS8
Setor Departamento de Ciências Sociais
Bolsa CNPq
Conclusão de bolsa Sim
Apoio financeiro CNPq
Primeiro autor Elisa Zentil Polzin
Orientador VICTOR LUIZ ALVES MOURAO
Outros membros João Pedro Bernardi Rosa
Título Entre a ciência e o mercado: articulações público-privadas na pesquisa com cannabis no Brasil.
Resumo A pesquisa científica com cannabis no Brasil tem se consolidado como um campo emergente, atravessado por intensas disputas políticas, simbólicas e econômicas. Este trabalho, ancorado na Sociologia do Conhecimento e nos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia, busca compreender como se configuram as articulações entre instituições públicas e agentes privados na viabilização de pesquisas com a planta. Por meio do acompanhamento das experiências desenvolvidas na Universidade Federal de Viçosa, o trabalho toma como objeto os casos que envolvem o uso científico da cannabis e, especialmente, as formas de parceria público-privada que possibilitam sua realização. As fontes de dados incluem entrevistas com pesquisadores envolvidos nos projetos, documentos institucionais e materiais produzidos por empresas e associações parceiras, além de dados secundários como notícias, relatórios de mercado (projeções e especulações sobre investimentos no setor) e documentos de órgãos reguladores, como a Anvisa, que contextualizam o cenário da cannabis medicinal e seus desafios. A metodologia combina entrevistas semiestruturadas com pesquisadores de cannabis e a análise de experiências em curso e em consolidação, voltadas à identificação de semelhanças e à compreensão das articulações público-privadas, dos modos de agenciamento, dos entraves institucionais e das estratégias de legitimação dessas pesquisas. A análise parte da concepção de que a ciência é uma prática situada, moldada por relações de poder e por disputas em torno da autoridade epistêmica. O avanço da cannabis como objeto de pesquisa ocorre em meio a mudanças legislativas recentes e ao reposicionamento da planta entre o estigma e o reconhecimento científico, configurando um cenário de transição paradigmática. Os casos analisados evidenciam a complexidade das relações entre universidade, mercado e sociedade civil, revelando tanto a potência quanto as tensões dessas articulações, que envolvem financiamento, infraestrutura, legitimidade institucional e demandas sociais por acesso ao conhecimento. A formação de agentes privados no interior das instituições públicas de pesquisa tem gerado reconfigurações nas práticas científicas, redirecionando prioridades, exigindo novos arranjos regulatórios e impondo desafios à autonomia dos pesquisadores. Tais experiências revelam que a consolidação desse campo não ocorre de forma linear, sendo atravessada por dilemas éticos, disputas por reconhecimento e desigualdades no acesso aos recursos e à circulação do saber. Ao mapear essas dinâmicas, a pesquisa contribui para refletir sobre os sentidos atribuídos à ciência, os limites, as potencialidades e dificuldades da cooperação entre esferas público-privadas e a necessidade de modelos mais democráticos e estáveis de produção de conhecimento, especialmente em contextos marcados por controvérsias e incertezas regulatórias.
Palavras-chave sociologia da ciência, cannabis, articulações público-privadas
Forma de apresentação..... Painel
Link para apresentação Painel
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