Das Montanhas de Minas ao Oceano: Os Caminhos da Ciência para um Futuro Sustentável

20 a 25 de outubro de 2025

Trabalho 20754

ISSN 2237-9045
Instituição Universidade Federal de Viçosa
Nível Pós-graduação
Modalidade Pesquisa
Área de conhecimento Ciências Humanas e Sociais
Área temática Dimensões Sociais: ODS5
Setor Departamento de Arquitetura e Urbanismo
Bolsa Não se Aplica
Conclusão de bolsa Não
Primeiro autor Anna Cândida Valentim Santana
Orientador MARILIA SOLFA
Outros membros DAYANA DEBOSSAN COELHO, Thais Pereira Coutinho de Lima
Título Desigualdades Socioespaciais no Bairro Nova Viçosa (Viçosa, MG) sob a Perspectiva Interseccional
Resumo Este trabalho investiga como as desigualdades estruturais de raça, gênero e classe se manifestam na produção do espaço urbano, a partir das experiências de mulheres negras moradoras do bairro Nova Viçosa, em Viçosa (MG). A interseccionalidade é adotada como ferramenta analítica central para compreender as múltiplas violações do direito à cidade enfrentadas por essas mulheres. Embora a interseccionalidade seja amplamente aprofundada nas Ciências Sociais, seu uso para analisar desigualdades urbanas ainda é incipiente. No caso do bairro Nova Viçosa, amplamente estudado em diversas áreas do conhecimento, identifica-se uma lacuna importante: não há pesquisas que enfoquem especificamente a experiência das mulheres negras residentes. A pesquisa segue uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica, levantamento documental e pesquisa de campo dividido em duas etapas: (1) visitas exploratórias com observação não sistemática e não participante no bairro; e (2) entrevistas semiestruturadas com 10 mulheres negras, selecionadas por amostragem em bola de neve, sendo três entrevistas aprofundadas. Utilizou-se também a técnica de foto-elicitação (photo-elicitation) como recurso complementar. Os resultados revelam que a condição de mulheres negras e periféricas impacta diretamente suas vidas cotidianas, evidenciando desafios como dificuldades de acesso ao emprego formal, sobrecarga no trabalho reprodutivo, precariedade na mobilidade urbana e deslocamentos marcados por várias formas de violência — desde a escassez de serviços públicos até a insegurança no espaço urbano. As narrativas demonstram como essas vivências são atravessadas por limitações estruturais, estigmatização e múltiplas formas de opressão que aprofundam as desigualdades urbanas. A interseccionalidade mostrou-se essencial para analisar a articulação entre raça, gênero e classe na reprodução dessas desigualdades. Valorizar os saberes situados dessas mulheres e denunciar a invisibilização dos corpos e territórios periféricos nas políticas públicas são contribuições centrais do estudo, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 5 — “Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”. No âmbito urbano, o estudo contribui para a visibilização das desigualdades no acesso a serviços e oportunidades; ressalta a urgência da participação ativa das mulheres negras nos processos decisórios sobre o território; denuncia as formas de violência de gênero nos deslocamentos; e reforça a importância do reconhecimento e valorização do trabalho de cuidado não remunerado, que recai desproporcionalmente sobre essas mulheres. Assim, reafirma-se a necessidade de incorporar a perspectiva interseccional na formulação de políticas públicas, rompendo com modelos universalizantes que invisibilizam múltiplas opressões. Somente ao reconhecer essas experiências como centrais será possível construir cidades mais justas e comprometidas com a equidade.
Palavras-chave Interseccionalidade, Desigualdades urbanas, Trabalho reprodutivo.
Forma de apresentação..... Painel
Link para apresentação Painel
Gerado em 0,71 segundos.