| Resumo |
Introdução: A coqueluche é uma doença infecciosa respiratória altamente transmissível e particularmente perigosa em recém-nascidos, sendo a imunização materna com dTpa, a partir da 20ª semana de gestação, uma medida essencial para a transferência de anticorpos e proteção passiva do bebê nos primeiros meses de vida. Apesar das diretrizes do Ministério da Saúde recomendarem 100% de cobertura vacinal para gestantes, a adesão à vacina dTpa no Brasil permanece aquém do ideal, representando um desafio para a saúde pública. Objetivos: Este estudo teve como objetivo analisar a tendência da cobertura vacinal da dTpa em gestantes na microrregião de saúde de Viçosa entre 2014 e 2023, bem como discutir seu impacto indireto na proteção infantil, sobretudo na prevenção de casos de coqueluche em menores de um ano. Metodologia: Trata-se de um estudo ecológico, quantitativo, com dados secundários extraídos do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), disponibilizados pelo DATASUS. A cobertura vacinal foi calculada com base no número de doses aplicadas dividido pela população-alvo estimada, multiplicado por 100. As análises foram realizadas no SPSS® versão 27.0, com procedimentos descritivos, teste de normalidade e aplicação do Modelo Linear Geral para medidas repetidas, além de correlações de Pearson. Valores inconsistentes acima de 100% foram removidos das análises inferenciais. Resultados: Observou-se, ao longo do período analisado, uma baixa cobertura vacinal da dTpa em gestantes na microrregião, com forte oscilação entre os anos. A média registrada em 2016 foi de 31,7%, com aumento até 65,5% em 2018. Entretanto, os anos seguintes apresentaram queda, atingindo apenas 41,8% em 2021. Em 2023, a cobertura voltou a crescer, atingindo 79,3%, embora ainda abaixo da meta. A análise revelou padrão de instabilidade na adesão à imunização materna, o que pode comprometer a proteção passiva dos neonatos. Registros epidemiológicos indicam que, em anos de menor cobertura, houve aumento de casos suspeitos de coqueluche em lactentes na região. Conclusões: A vacinação com dTpa em gestantes na microrregião de Viçosa apresentou avanços pontuais, mas ainda permanece distante da meta nacional, com tendência irregular e cobertura insatisfatória para garantir a imunidade coletiva. A persistência da baixa adesão reforça a necessidade de fortalecimento de políticas públicas, ações educativas direcionadas às gestantes e estratégias de busca ativa. A imunização materna deve ser compreendida não apenas como proteção individual da gestante, mas como uma medida fundamental para a saúde infantil. |