| Resumo |
Contextualização: Na transição do século XIX para o XX, desenvolveu-se no Brasil, e especialmente na Zona da Mata Mineira, uma rica cultura física composta por práticas institucionalizadas que podem ser divididas em três categorias: esporte, exercícios e divertimentos físicos. Nesse período, o movimento higienista também ganhou força, defendendo que a saúde e a educação da população eram fundamentais para o progresso na nação. Com caráter coletivo e educativo, esse movimento integrou-se a um projeto nacional de modernização. Objetivo: O estudo busca compreender o processo de desenvolvimento da cultura física na Zona da Mata Mineira, entre 1900 e 1930, com ênfase nas possíveis relações entre esporte e higienismo. Metodologia: Esta análise foi desenvolvida com base em pesquisas realizadas na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, utilizando como palavras-chave os termos sport, cultura physica, exercicio physico e hygiene. A partir desses termos, foram examinados jornais, relatórios, legislações e outros documentos da época, com o objetivo de compreender as representações e os discursos em torno da cultura física no período analisado. Resultados e Discussão: Os ideais de modernidade promovidos pelos médicos higienistas em nossa região manifestaram-se intensamente por meio do desenvolvimento de diversos componentes da cultura física, especialmente os esportes. Essas práticas extrapolaram os limites dos ambientes escolares — focados nos métodos ginásticos — e dos clubes, onde predominavam as atividades esportivas, encontrando terreno fértil em instituições voltadas à formação física, como o Instituto de Cultura Physica. Tal movimento refletia uma preocupação com a formação integral do cidadão, em consonância com os ideais de progresso e civilidade vigentes na época. Nesse contexto, buscava-se inserir na sociedade uma nova mentalidade sobre o corpo e a saúde, propagada amplamente pela imprensa. Os jornais desempenhavam papel fundamental na difusão de valores que associavam os cuidados corporais à saúde orgânica, reforçando uma visão de corpo saudável como símbolo de um cidadão moderno e produtivo. As práticas esportivas, como o futebol, a natação, o basquete e o remo, eram incentivadas em espaços ao ar livre e em contato com a natureza, promovendo não apenas benefícios físicos, mas também intelectuais, morais e mentais. Essa abordagem dialogava com os ideais higienistas ao valorizar a moderação e combater os excessos, especialmente aqueles associados aos chamados “esportes artificiais”, ligados a apostas e exageros. Por fim, a valorização da cultura física nesse período expressava um projeto de formação do corpo social voltado à ordem, disciplina e saúde, alinhado aos anseios de modernização e controle social promovidos por médicos, educadores e governantes da época. |