| Resumo |
As coleções científicas constituem repositórios permanentes da biodiversidade, exercendo papel essencial para estudos de taxonomia, sistemática e conservação, sobretudo frente ao avanço da exploração e degradação dos ambientes aquáticos. Nesse contexto, a Coleção Ictiológica do Museu de Zoologia João Moojen da Universidade Federal de Viçosa (MZUFV), fundada em 1987, constitui um importante registro histórico da biodiversidade regional, abrigando atualmente mais de 100.000 exemplares de peixes distribuídos em mais de 13.000 lotes. Considerando sua relevância, este estudo teve como objetivo mensurar a diversidade de peixes do acervo quanto à sua composição e distribuição geográfica. Para isso, foi realizada uma análise sistemática e o diagnóstico taxonômico dos espécimes depositados, com identificação dos exemplares até o menor nível taxonômico possível e sua catalogação por ordem e família. Foram utilizados o Livro de Tombo do MZUFV em conjunto com a planilha digitalizada da coleção, sendo a identificação taxonômica embasada nos dados da plataforma “Eschmeyer’s Catalog of Fishes” e as análises estatísticas conduzidas por meio do software Excel. Os resultados demonstraram que a maior parte dos exemplares depositados provém da bacia do Rio Doce, refletindo a concentração dos esforços de coleta nessa região. No que se refere à composição taxonômica, a coleção é constituída principalmente por representantes da ordem Characiformes, que responde por 55% dos lotes analisados, seguida por Siluriformes (19%) e Cichliformes (16%). Gymnotiformes representam 3% do acervo, enquanto Beloniformes e Cyprinodontiformes correspondem a 1% cada. Outras ordens, como Acanthuriformes, Elopiformes e Synbranchiformes, apresentaram ocorrência menos expressiva no total amostrado. A coleção ictiológica do MZUFV, portanto, constitui um valioso registro da diversidade taxonômica, assim como um recurso imprescindível para estudos ecológicos, biogeográficos e conservacionistas relacionados à ictiofauna da Bacia do Rio Doce. Por reunir dados que refletem a composição da fauna ao longo do tempo, a coleção permite comparações temporais e o monitoramento de alterações na estrutura das comunidades de peixes, aspectos fundamentais para avaliar impactos ambientais. Além disso, a organização sistemática dos dados e a constante atualização das classificações taxonômicas são fundamentais para garantir a precisão das informações, assegurando seu potencial de uso em pesquisas futuras. |