| Resumo |
As etapas vivenciadas por um estudante na graduação, do início ao fim, provocam diferentes respostas psíquicas e orgânicas, criando um espectro de impactos gerado pelo estresse cotidiano, sobretudo em estudantes de medicina, os quais enfrentam grande demanda física e psicológica durante sua formação. Um destes impactos, apesar das diferenças de idade e gênero entre os estudantes, diz respeito às alterações hematológicas de várias ordens que, por vezes, podem culminar em impactos à saúde. Tem-se como objetivo correlacionar os índices hematimétricos e os níveis de ansiedade e depressão em alunos de diferentes períodos do curso de medicina da Universidade Federal de Viçosa. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer de número 5.635.845, trata-se de um estudo transversal quantitativo. Foram eleitos 56 estudantes dos dois primeiros anos e 62 estudantes dos dois últimos anos do curso (internato). A coleta de dados se deu entre os anos de 2022 e 2023 com a aplicação de questionários validados para avaliação dos níveis de ansiedade e depressão como os Inventários de Ansiedade e de Depressão de Beck e a Escala de Estresse Percebido, juntamente com coleta de sangue venoso para realização do hemograma completo. A correlação estatística foi realizada pelo teste de Pearson usando o programa Prism 7.0, sendo significante quando ρ<0,05. Em análise dos valores hematimétricos, os estudantes dos anos finais apresentaram índices significativamente maiores relacionados à série vermelha de células do sangue (Hematócrito, VCM e HCM) e de monócitos na série branca, em comparação ao grupo de estudantes dos anos iniciais. Analisando a correlação dos níveis de ansiedade e depressão com os índices hematimétricos, observa-se que para o grupo dos anos iniciais existe uma correlação inversa significativa entre o nível de ansiedade e os marcadores da série vermelha. Concomitantemente, no grupo de estudantes dos anos finais, tanto os índices de ansiedade quanto de depressão tiveram significativa correlação positiva com os valores da série branca de células (leucócitos) como linfócitos e neutrófilos. Conclui-se que os estudantes de medicina apresentam diferentes perfis hematológicos associados à saúde mental e que essa relação é alterada com a trajetória acadêmica. Tais achados reforçam a importância do cuidado integral com a saúde mental ao longo de toda a formação médica. |