| Resumo |
Introdução: Os moradores das Unidades de Moradia Estudantil (UME) vivem em situação de vulnerabilidade social, o que impacta diretamente na saúde dos mesmos. Objetivo: Caracterizar a segurança alimentar e as condições de saúde de residentes em UME da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Descrição das principais ações: Alunos do curso de Nutrição da UFV, Campus Viçosa aplicaram questionário nas UME (Pós, Posinho, Feminino, Novo e Novíssimo) sobre hábitos alimentares e suas condições socioeconômicas e demográficas. Foi aplicado a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) com oito questões. Foram aferidas medidas antropométricas, incluindo altura com estadiômetro portátil, peso em balança digital eletrônica e perímetro da cintura por fita métrica inelástica, sendo calculados o Índice de Massa Corporal (IMC) e Relação Cintura-estatura (RCE). Resultados alcançados: Foram avaliados 498 moradores das UME. A mediana de idade foi de 22 anos (18 a 43 anos) e o gênero auto relatado foi: feminino 55,62%; masculino 43,78%; não binário 0,40%; trans 0,20%. Dentre os avaliados, 42,50% se consideram pardos, 31,10% brancos, 25,8% pretos, 0,20% indígenas e 0,40% amarelos; 11,70% relataram fumantes, 57,90% consomem bebida alcoólica; 55,40% praticam atividade física, sendo que entre eles 29,50% praticam em algum projeto da UFV. Dentre os moradores, 58,00% relataram receber auxílio financeiro da família; 32,73% trabalham, sendo que destes 90,20% têm trabalho informal; 47,20% recebem algum tipo de bolsa, como de iniciação e extensão, permanência, Bolsa de Aprendizagem e Aprimoramento Profissional (BAAP), estágio remunerado, monitoria, bolsa esporte, representando respectivamente 31,90%, 23,30%, 20,70%, 18,90%, 3,90%, 1,30%. Em relação ao histórico familiar, 72,50% relataram hipertensão, 61,30% diabetes, 52,30% doença cardiovascular, 42,90% dislipidemia e 42,50% anemia. Dos avaliados, 25,80% relataram alguma doença relacionada à saúde mental, endócrina, respiratória, deficiência de micronutrientes, dentre outras; 38,10% usam medicação contínua (anticoncepcional, antidepressivos e para ansiedade). Em relação ao estado nutricional (n= 379), 54,90% estão em eutrofia, 22,40% sobrepeso, 13,50% obesidade e 9,20% baixo peso; 20,80% apresentaram risco cardiovascular. Considerando o consumo alimentar, 99,60% fazem refeição no Restaurante Universitário (RU), sendo realizado almoço (98,60%; n= 491), jantar (97,20%; n= 484), e desjejum (76,90%; n= 383). De acordo com a EBIA, 41,60% estão em segurança alimentar, 30,70% em insegurança alimentar leve, 21,90% em moderada e 5,80% em grave. O diagnóstico realizado foi apresentado à Pró Reitoria de Assuntos Comunitários e os participantes estão recebendo retorno individualizado sobre o estado nutricional e de saúde. Conclusão: As condições de insegurança alimentar e de saúde dos residentes da UME indicam as necessidades de políticas e ações direcionadas à melhoria dessas condições. Agradecimentos à PCD e PRÉ/UFV. |