| Resumo |
O setor brasileiro de florestas plantadas totalizou 9,94 milhões de hectares em 2022, com predominância de eucalipto, gerando R$ 260 bilhões em receita e 25 milhões de toneladas de celulose. Em contraponto, a Amazônia Legal, com 508,87 milhões de hectares, apresentou escassez de dados sobre a produção e comercialização de madeira legalizada, o que dificultou a formulação de políticas públicas eficazes e o avanço de práticas sustentáveis. Nesse cenário, o Documento de Origem Florestal (DOF) representou o principal instrumento legal para o controle do transporte, recepção e armazenamento de produtos florestais nativos, conforme exigido pela legislação ambiental. O DOF funcionou como uma ferramenta pública de natureza contábil, baseada em créditos vinculados às autorizações de exploração, mas sua complexidade e o grande volume de dados armazenados comprometeram a eficiência na análise e no uso das informações pelos gestores públicos. Este estudo, vinculado ao Laboratório de Ergonomia, Colheita e Logística Florestal, em parceria com os Departamentos de Engenharia Florestal e de Engenharia de Produção da UFV, teve como objetivo aplicar ferramentas tecnológicas, como o Power BI e métodos estatísticos, para analisar a rastreabilidade e a comercialização da madeira nativa legalizada na Amazônia Legal, com foco no estado do Pará — principal área de exploração florestal do país. Foram analisados 6.635.551 DOFs emitidos entre janeiro de 2007 e dezembro de 2023, extraídos de banco de dados público do IBAMA, uma vez que os dados de 2024 ainda não estavam disponíveis no momento da pesquisa. O tratamento e a visualização das informações foram realizados com o uso do Power BI e do Excel, gerando dashboards e relatórios com indicadores-chave de desempenho (KPIs) sobre o transporte e o monitoramento da madeira. As análises estatísticas, como estatística descritiva e testes de média, foram conduzidas com os softwares GraphPad Prism 10.2.3, Statistica 7.0 e SPSS 11.0. O levantamento apontou que, entre 2007 e 2023, a cadeia produtiva da madeira no Pará movimentou R$ 27,64 bilhões e 59,81 milhões de m³, sendo toda a madeira comercializada dentro do território nacional, com destaque para a Bahia, que recebeu 3,15 milhões de m³ e gerou R$ 1,37 bilhão. Os municípios de Moju e Paragominas lideraram em volume transportado, enquanto Belém se destacou no valor econômico gerado. Ananindeua apresentou relevância pelo alto valor e volume por quilômetro quadrado, mesmo com menor extensão territorial. As espécies mais comercializadas em 2023 foram Eucalyptus spp. (eucalipto) e Manilkara spp. (maçaranduba). |