| Resumo |
O debate das terminologias Cannabis-Maconha dentro da área dos estudos canábicos é permeado por diversas controvérsias. Tais problematizações se dão acerca do modo como são utilizadas dentro de espaços sociais distintos, já que o termo Cannabis Sativa denota cientificidade, maior legitimidade e reconhecimento social, enquanto maconha é habitualmente vista como pejorativa e equivalente a “droga”. Desse modo, o uso destas terminologias não é aleatório, mas está alinhado a determinadas situações, necessidades e posicionamentos sociais. O objetivo deste trabalho de pesquisa é compreender os usos das terminologias múltiplas utilizadas para se referir a maconha (como Cânhamo, Cannabis Sativa, dentre outras) dentro de um ambiente de produção de conhecimento científico. A partir dessa análise, buscamos compreender os contextos e situações em que certos termos são utilizados e determinar seu sentido social, político e cultural. A análise será realizada a partir de um banco de dados de entrevistas com pesquisadores de cannabis realizadas pelo projeto de pesquisa Conhecimentos Canábicos: ciência e política nas pesquisas com/sobre cannabis no Brasil da Universidade Federal de Viçosa, que está sendo construído desde 2020. A metodologia da pesquisa parte da utilização do software de análise lexical Iramuteq para identificar a utilização das terminologias específicas nas entrevistas e, a partir disso realizar uma análise comparativa, buscando apresentar as variações de terminologias em determinados contextos com o intuito de estabelecer e reconhecer padrões e conexões de uso específicos, e como tais situações dialogam com as terminologias apresentadas. A partir do material analisado inicialmente, podemos apresentar uma hipótese inicial que engloba a utilização da terminologia Cannabis com maior ênfase em discursos referentes aos aspectos “positivos” da planta, como o medicinal e a pesquisa, enquanto Maconha tem seu uso enfatizado em questões voltadas a aspectos marginalizados e nos aspecto como ditos “perigosos e negativos”, principalmente atos criminosos e denominação comum de drogas. Tendo em vista as entrevistas observadas nesse momento inicial, os achados iniciais se resumem em manifestações mais frequentes do uso da terminologia Cannabis e manifestações mais tímidas da nomenclatura Maconha, enquanto as intencionalidades de seus usos estão, até o momento, alinhados com as hipóteses iniciais. |