Das Montanhas de Minas ao Oceano: Os Caminhos da Ciência para um Futuro Sustentável

20 a 25 de outubro de 2025

Trabalho 20281

ISSN 2237-9045
Instituição Universidade Federal de Viçosa
Nível Graduação
Modalidade Pesquisa
Área de conhecimento Ciências Humanas e Sociais
Área temática Dimensões Sociais: ODS5
Setor Departamento de Comunicação Social
Bolsa CNPq
Conclusão de bolsa Sim
Apoio financeiro CNPq
Primeiro autor Isadora Viana de Lima
Orientador HENRIQUE MOREIRA MAZETTI
Título Regimes emocionais e feminilidade no discurso masculinista Red Pill
Resumo Este resumo expandido apresenta os resultados de uma pesquisa sobre os regimes emocionais que sustentam os ideais de feminilidade no discurso masculinista Red Pill. Partindo das discussões sobre a disseminação do masculinismo na mídia, da sociologia das emoções e dos estudos de gênero, o objetivo é analisar as percepções acerca do que significa “ser mulher” e as formas consideradas adequadas de expressão emocional, que vêm sendo apropriadas, ressignificadas e amplamente difundidas por homens nas redes sociais, especialmente no YouTube, com o propósito de reforçar dinâmicas de poder e dominação de gênero.
Nesse contexto, considera-se a crescente legitimação da misoginia nas plataformas digitais, onde discursos masculinistas se propagam livremente, muitas vezes de forma anônima. Para a análise, foi utilizado um referencial teórico que inclui autores como Vilaça e d’Andréa (2021), Velho e Montardo (2022), Castellano e Miguel (2023) e Anjos (2020) sobre o discurso antifeminista nas redes, além de Frevert (2017), Freire Filho (2019), Rosenwein (2010), Rezende e Coelho (2019) e Wolff (2021) acerca da naturalização de regimes emocionais com base em gênero. A pesquisa selecionou podcasts publicados entre 2023 e 2025, com duração de uma a quatro horas, vinculados a canais e influenciadores da Red Pill, sistematizados por meio de uma tabela que permitiu identificar os ideais de feminilidade promovidos e rejeitados, com ênfase nos padrões emocionais veiculados.
A análise revela que esses discursos influenciam homens e meninos, alimentando ressentimentos diante dos avanços sociais conquistados pelas mulheres. Assim, exaltam-se figuras femininas tradicionais (submissas, maternais e delicadas) em contraste com as mulheres contemporâneas, independentes e voltadas à carreira. Ainda que promovam uma dicotomia entre "boas" e "más", todas acabam percebidas como ameaçadoras por não corresponderem ao ideal de submissão. Ao investigar como a felicidade, a infelicidade e o ressentimento são organizadas nesse discurso, a pesquisa problematiza a estrutura hierárquica que permite a disseminação e naturalização do ódio às mulheres.
Portanto, os discursos Red Pill são marcados por uma retórica misógina que simplifica a complexidade da experiência feminina e reitera uma hierarquia em que o homem se posiciona como dominante. Essa lógica impõe um modelo único de existência para as mulheres e legítima diversas formas de violência (simbólica, verbal e física) contra um grupo historicamente silenciado. O ressentimento emerge como sentimento estruturante do movimento, sustentado por uma narrativa distorcida que posiciona os homens como vítimas de um suposto sistema favorável às mulheres. Amplificado pelas redes sociais e naturalizado pelo humor, esse conteúdo transcende o ambiente virtual e se manifesta em comportamentos violentos, incluindo agressões e feminicídios. O que começa como opinião se transforma, na prática, em ameaça concreta à vida das mulheres.
Palavras-chave emoções, gênero, masculinismo
Forma de apresentação..... Vídeo
Link para apresentação Vídeo
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