| Resumo |
A pesquisa analisou os dados do diagnóstico dos agroecossistemas realizado em 20 unidades produtivas de famílias agricultoras vinculadas ao Sistema Participativo de Garantia da Qualidade Orgânica -SPG-Floriô, e em processo de certificação orgânica, localizadas nos municípios mineiros de Espera Feliz, Divino, Raul Soares, Muriaé, Barão do Monte Alto, Coimbra e Viçosa. O diagnóstico consistiu em coletas e análises de solos e de água, e análise dos Planos de Manejo Orgânico (PMO) e dos registros de controle e rastreabilidade exigidos pela legislação da Agricultura Orgânica. A metodologia consistiu em: a) sistematizar os conteúdos e temas levantados no diagnóstico dos agroecossistemas e inseri-los na formação para os membros do SPG-Floriô; b) levantamento bibliográfico sobre os processos de formação promovidos por outros SPGs no Brasil; c) Identificar as principais dificuldades enfrentadas pelas famílias membros do SPG-Floriô. Como resultado, identificou-se uma variedade de bioinsumos utilizados e produzidos pelas famílias (microrganismos eficientes/EM, bokashi, compostagem). Entretanto, as análises de solo demonstraram a necessidade de melhoria nos manejos agroecológicos, sobretudo da fertilidade dos solos. Outro apontamento foi a necessidade de pesquisas sobre potenciais usos de insumos da região, como a cama aviária e o pó de rocha, por exemplo, em função da dependência de insumos orgânicos vindos de fora, com valor e custo energético alto. Em termos dos mecanismos de controle, o hábito de realizar as anotações e registros foi apontado como a principal dificuldade para 75% das famílias. O grupo é composto, em sua maioria, por famílias que estão ainda iniciando o processo de certificação orgânica. Foi constatado que 60% das famílias necessitam de suporte para adequações e/ou revisões futuras do PMO, além de acompanhamento para sanar dúvidas sobre os registros mínimos necessários para garantia da qualidade orgânica da produção Como parte do processo da pesquisa-ação, a partir das problemáticas diagnosticadas, foram realizadas quatro oficinas, sendo duas de fertilidade de solo voltadas para o cultivo do café e para o cultivo de hortaliças e duas sobre a produção e utilização de biofertilizantes e caldas. Foram incorporados no plano de ensino do curso à distância e em construção sobre Agroecologia e Certificação Participativa, conteúdos relacionados aos mecanismos de controle. Está em andamento o levantamento bibliográfico sobre os processos formativos de outros SPGs no Brasil. Os principais temas levantados para compor o conteúdo programático dos cursos e oficinas são: Manejo agroecológico, normativas da certificação orgânica, mecanismos de controle e rastreabilidade, funcionamento do SPG. A formação contextualizada às problemáticas imediatas vivenciadas pelas famílias em processo de certificação promove uma melhor incorporação das práticas discutidas no cotidiano dos processos de trabalho. |